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Titanic 3D

10/05/2012


Aclamado na época do seu lançamento, quando levou uma multidão recorde ao cinemas, ganhou 11 Oscars, virou um fenômeno pop – lapidando frases e cenas inteiras -, e foi chamado de maior filme da história, Titanic viu seu prestígio cair ao longo dos anos e até perdeu o posto de filme mais bem sucedido já feito. A boa notícia é que, agora, após 15 anos, o filme se mantém intacto, em todas as qualidades e defeitos.

Porque ao contrário de George Lucas, que vem ao longo dos anos distorcendo e retalhando sua saga Star Wars, James Cameron entende que a forma com que um filme é feito é um registro da época e da arte do Cinema e assim, manteve seu longa exatamente igual ao que foi concebido originalmente, ocupando-se apenas da conversão para o 3D. Ele, que popularizou o formato com Avatar, investiu seu perfeccionismo numa transposição longa e cuidadosa, resultando em algo lindo e que aumenta o enorme tamanho do maior navio da história.

Com a nova dimensão, o trabalho técnico realizado aqui fica ainda mais impressionante, com a construção de um set quase do mesmo tamanho que o navio original e cenas de naufrágio feitas com um realismo absurdo. Sabendo que o Titanic demorou cerca de duas horas pra afundar, Cameron tratou de incluir ali drama, suspense e mostrar toda a tragédia passo a passo, resultando numa tensão crescente que suscita aquela experimentada pelas vítimas.

Mais do que isso, o diretor e roteirista sabia que nada teria o mesmo impacto se não houvesse por trás personagens por quem o público pudesse temer e com causas pelas quais o público quisesse torcer. Assim, criou a história mais universal do mundo e fisgou a todos nós com o amor impossível de Jack e Rose, inspirado, é claro, nas próprias circunstâncias sociais em que a viagem foi realizada.
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Construído para ser um símbolo de afirmação da ação humana sobre a natureza, o Titanic na verdade funciona como um retrato da belle époque, que de fato chegaria ao fim dois anos depois, com a Primeira Guerra Mundial. Num tempo em que a Europa vivia tempos de paz e prosperidade mas já articulava um novo conflito, a luta de classes é algo extremamente sintomático e evidenciado antes e durante o naufrágio. Mas será que 100 anos depois, alguma coisa realmente mudou? Além disso, nós pensaríamos diferente se estivéssemos lá?

Durante mais da metade da projeção, o filme inspira em nós a fascinação que o Titanic exercia em seus passageiros, para logo em seguida afundá-lo junto com a arrogância de vários de seus passageiros. O mesmo acontece com o amor do pobretão Jack e da triste menina rica Rose, uma história contada com um roteiro simplório e diálogos e cenas cafonas, mas cujos defeitos empalidecem diante da química de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio e de cenas inesquecíveis como o “voo” na proa do navio e o desenho utilizando apenas o colar.

Da mesma forma que a natureza mostrou-se implacável com o Titanic, ela o foi com o amor entre pessoas que não deveriam ficar juntas. No fim, o naufrágio do navio certamente representou algo traumático para Rose. Mas o que a marcou mesmo foi a imagem de Jack afundando nas águas geladas do Atlântico Norte.
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5 Comentários leave one →
  1. 10/05/2012 22:46

    Depois de anos sem ver, seria uma revisita importante minha ao filme, e certamente nunca me impressionei e me emocionei tanto com TITANIC. Você põe bem quando menciona os atritos sociais, e realmente a pergunta se agiríamos diferente hoje é válida. Se nos anos o filme foi sendo, digamos, esquecido, nada como retornar em 3D para mostrar que, apesar do tempo, continua uma obra-prima que move multidões.

  2. Vitória permalink
    14/05/2012 22:19

    A história de Romeu e Julieta deixou de ser a mais bela história de amor já contada quando o filme Titanic apareceu pela primeira vez nas telas do cinema.

    • 15/05/2012 18:51

      Não diria que Romeu e Julieta foram substituídos porque o amor impossível do casal de Titanic foi com certeza inspirado na obra de Shakespeare, mas sem dúvida que Jack e Rose marcaram toda uma geração.

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