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O Artista [The Artist]

15/02/2012


Dizem que em seus primórdios o Cinema alcançou rápida popularidade pelo fato de que os filmes eram mudos e, portanto, de fácil assimilação a plateias de qualquer classe social e de qualquer lugar do mundo. Assim, é irônico perceber que O Artista, filme de 2011 mas feito com recursos do cinema mudo da década de 20, possa ser recebido com receio pelo público médio, ao mesmo tempo em que vem sendo aclamado por aqueles que vivem da indústria cinematográfica.

O destaque dado ao longa na atual temporada de prêmios é facilmente compreensível. O Artista não é apenas um filme que adota a linguagem primitiva utilizada pelos cineastas, mas é também um longa sobre o Cinema, uma declaração de amor que exala nostalgia por uma época que não foi vivida por ninguém que o realizou e dificilmente por alguém que o assistirá.

Logo no início, o diretor e roteirista Michel Hazanavicius nos apresenta a uma plateia que se diverte e se emociona com uma tela de Cinema nos idos de 1927, nos convidando a acompanhar o longa com a mesma ingenuidade e envolvimento que aquele público exibe. A estrela vista ali é George Valentin (Jean Dujardin), herói de diversos filmes numa época em que o nome da estrela principal era o grande destaque nos letreiros dos cinemas, e não o nome do filme em si.

Com a chegada do cinema falado e negando-se a enxergar um futuro no novo formato, Valentin vê sua carreira declinar ao mesmo tempo em que a de Peppy Miller (Bérénice Bejo), aspirante a atriz de quem ele havia se aproximado, deslancha exponencialmente. A direção oposta da vida dos dois ainda é ilustrada pela cena em que se encontram numa escada: enquanto ele desce, ela sobe.
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Assim, em cerca de 100 minutos, O Artista conta uma história simples, mas cheia de ternura. Há referências a Metropolis, de Fritz Lang, gags visuais remetendo a Charlie Chaplin, a lembrança de Cantando na Chuva quando se fala do fim do cinema mudo e um número musical irresistível anunciando a incrível era dos musicais que estaria por vir.

O roteiro não deixa que a relação de George e Peppy se transforme numa simples história de amor. Não espere, portanto, declarações apaixonadas e beijos calorosos. No fim, essa é muito mais uma história de amizade e compreensão, onde cada um sabe muito bem a hora de ajudar o outro. E tanto Dujardin quanto Bejo são eficientes na horar de mostrar os altos e baixos dos seus personagens.

O Artista não é uma obra indicadora de tendências e sim um suspiro de uma Hollywoodland em constante transformação, saudosa de uma época em que o Cinema era algo promissor e dominado pelo star system. Ironicamente, além de seus atores, ganharam destaque por aqui o diretor e o compositor Ludovic Bource, que fez um lindo trabalho e de grande importância para um filme mudo. Mas sobretudo, pela sua simplicidade e até ingenuidade, O Artista é capaz de suscitar em quem o assiste a notalgia que tomou conta daqueles que o realizaram.
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5 Comentários leave one →
  1. 25/02/2012 11:04

    O grande vencedor do Oscar 2012. Já está lançada a aposta!!!

  2. 25/02/2012 11:14

    Não tem como não se lembrar de “CAntando na Chuva” nessa obra-prima que merece todas essas louvações conquistadas.

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