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Touch 1×01: Pilot

29/01/2012


O conceito de sincronicidade ganhou força ao longo da história a partir do momento em que a globalização tornou o planeta menor e permitiu que fossem observadas relações e conexões entre indivíduos e fatos que aparentemente  não deveriam e nem poderiam estar ligados. Religiosos explicam que se trata da mão dos seus respectivos deuses traçando o destino de nós, meros mortais. O céticos defendem que são coincidências, pura e simplesmente, e que os padrões são vistos por aqueles que querem enxergá-los em busca de algo que explique a complexidade do mundo, como mostra este interessante vídeo.

Touch não fala de religião, mas já começa dizendo que há, sim,  conexões aparentemente invisíveis entre as mais de 7 bilhões de pessoas que vivem no mundo e estas não são, de forma alguma, coincidências. Jake, um menino de 11 anos supostamente autista tem a capacidade de ler padrões atraves de sequências numéricas que o permitem prever o futuro e até enxergar o passada – na mitologia da série tudo pode ser explicado desta forma -, mas os seres humanos ainda não desenvolveram a habilidade perceber tais ligações.

Sem precisar falar, já que sua forma de comunicação são os números, Jake não consegue se relacionar com o resto do mundo, muito menos com o pai, o protagonista vivido com a competência habitual de Kiefer Sutherland. Martin Bohm é um homem viúvo, cuja esposa morreu no atentado de 11 de setembro e desde então, sua vida parece estagnada e infeliz, sem ao menos conseguir se comunicar com o próprio filho. Ao notar uma série de “coincidências” relacionadas a números escritos por Jake, Martin percebe que o garoto está tentando indicar que algo vai acontecer e poderá ser evitado.
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Eu sei que a princípio esse plot parece tosco, mas Touch se desenvolve sempre de forma intrigante e instigante, até sem dar muita importância a essa mitologia estranha em que o futuro pode ser previsto por números. A história é contada sem que as relações entre os personagens sejam óbvias e, consequentemente, seus destinos parecem incertos. Assim, no terço final, quando a proposta da série fica clara, Touch mostra que possui um fator emocional incrível, ao exibir as ligações e influências entre diversas pessoas ao redor do mundo, com um roteiro bem amarrado e uma montagem que contrói com eficiência as diversas linhas narrativas.

Da mesma forma, ficou claro que esse piloto foi escrito por Tim Kring com muito mais cuidado e inspiração do que qualquer episódio da finada Heroes, outra série comandada por ele e que se perdeu pela sua total incompetência em desenvolver uma história que possuísse viagens no tempo. Por isso, ao ser anunciada, Touch foi motivo de piada do público que previa mais uma bomba trazida por Kring e sua equipe, algo que agora parece totalmente injusto.

Ainda assim, ficam dúvidas com relação ao futuro da trama. Martin e seu filho se dedicarão em cada episódio a evitar um desastre, algo parecido com o que acontecia em Early Edition, série em que o protagonista recebia o jornal do dia seguinte e com isso poderia mudar o que aconteceu? Ou mostrará como Jake faz com que o destino das pessoas se “toque”, desembaraçando a linha de suas vidas até então supostamente enroladas? A primeira opção poderá gerar um bom procedural, mas a segunda é com certeza mais inteligente e emocionante. Asim, espero que a série consiga dosar bem as duas.
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