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Os melhores filmes de 2011

03/01/2012

2011 começou muito bem, com uma temporada de prêmios super interessante e cheia de filmes brilhantes, mesmo que o vencedor do Oscar tenha sido o mediano O Discurso do Rei. À partir daí, o ano passou a contar com boas estreias no Brasil, mas de filmes que ainda eram de 2010 e os principais lançamentos foram dominados por continuações e adaptações de HQ’s, a grande maioria sem muita relevância. Assim, 2011 mostrou-se um ano bem mais fraco que seu antecessor, prejudicado ainda pelo fato de que os principais concorrentes da próxima temporada só vão ter lançamento depois que ele acabou.

Gostaria também de fazer menções a filmes que quase apareceram por aqui, como A Pele Que Habito, suspense que possui a cara de Almodóvar; A Árvore da Vida, uma experiência cinematográfica única e O Palhaço, belíssimo filme de Selton Mello, onde homenageia o mundo do circo e questiona a própria carreira.

A lista abaixo, em ordem decrescente, traz os 10 melhores filmes, na minha opinião, lançados em circuito comercial no Brasil no ano passado, não sendo novidade alguma dizer que a maioria deles ainda é de 2010. Que a corrida ao Oscar compense o ano cinematográfico fraco que o país teve.
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10. Rango (idem) – Gore Verbinsky, EUA, 2011

O melhor filme de animação do ano e também o mais engraçado. Rango é um personagem cheio de carisma desde as primeiras cenas, quando surge lutando pra sobreviver, até o clímax, quando é dominado pela culpa e por uma tentativa de autodestruição. Mas Rango, o filme, não é só relativamente complexo com seus personagens, mas também visualmente, repleto de divertidas gags visuais como a da foto acima e um detalhismo impressionante no retrato de animais que vivem num Velho-Oeste e possuem marcas visíveis de tudo aquilo que são e por que passaram. E possui também uma história original mas pontuada por dezenas de homenagens e referências sempre inseridas de forma orgânica e coesa. Um entretenimento de primeira.

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9. Melancolia (Melancholia) – Lars von Trier, Dinamarca, 2011

Com Melancolia, Lars von Trier conseguiu refinar seu estilo e ao mesmo tempo sair um pouco da rigidez em que sua obra se encontrava. Ele continua trazendo planos lindos que parecem pintura, uma grande metáfora óbvia e dezenas de simbolismos compondo a sempre complexa personalidade dos seus protagonistas. Ao mesmo tempo, é possível perceber que o diretor fez um longa menos pessimista e provocador, onde o tema da maldade – tão caro à sua filmografia – dá espaço maior ao estudo de personagem. Além de ser ótimo saber que von Trier consegue passear por um ambiente menos carregado, ele continua mestre na direção de atores, com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg trazendo grandes atuações. (texto completo)

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8. Planeta dos Macacos – A Origem (Rise of the Planet of the Apes) – Rupert Wyatt, EUA, 2011

Essa talvez seja a maior surpresa do ano. Baseado numa cinessérie fraca (com exceção do primeiro filme) e comandado por um quase estreante, tinha tudo pra dar errado. Mas o diretor Rupert Wyatt conseguiu contar uma trama de ficção científica super plausível e bastante envolvente, ditando a relação entre homens e símios que viria a se inverter mais adiante e centrando a ação na figura de um macaco que ganha uma personalidade fascinante através da atuação de Andy Serkis e do motion capture. Trata-se do uso perfeito de efeitos visuais a serviço de um longa inspirado e, quem diria, surpreendente.

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7. Trabalho Interno (Inside Job) – Charles Ferguson, EUA, 2010

Os documentários não são o meu tipo de filme favorito, devo confessar, mas foi difícil passar imune a este aqui. O diretor Charles Ferguson fez um brilhante trabalho ao conseguir contar para um público leigo o complicadíssimo processo que provocou o colapso financeiro de 2008, fazendo um amplo panorama de um sistema frágil e injusto que torna bilionários aqueles que usam e afundam o espólio alheio. Ninguém sai limpo dos ataques de Ferguson: executivos, governo, imprensa, acadêmicos, diplomatas e até o cidadão comum, que abusa da oferta de crédito, possuem sua parcela de culpa. É um alerta contundente para a negligência que permite os problemas cíclicos que o capitalismo atual provoca. (texto completo)

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6. Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go) – Mark Romanek, Reino Unido, 2010

Tudo em Não Me Abandone Jamais parece incompleto ou interrompido no meio do caminho, como as bonecas quebradas do orfanato ou o barco encalhado bem no meio da praia. A abordagem delicada de uma história que mais parece vinda de outro gênero é o mais intrigante visto aqui. Seus personagens possuem uma resignação inexplicável, mas ao mesmo tempo a visão que têm de mundo e de seus futuros é bastante ingênua. O sentimentalismo e a formação de um triângulo amoroso convencional contrastam com o contexto peculiar em que estão inseridos. É um filme que deve ser visto sem pré-concepção de gênero ou cinismo, um drama de época incomum mas ainda assim incrivelmente sensível e emocionante.

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5. Tudo pelo Poder (The Ides of March) – George Clooney, EUA, 2011

Em Tudo pelo Poder, um cenário político peculiar é utilizado para falar da moralidade e dos limites entre idealismo e realismo. Num ambiente em que não há mocinhos e vilões e sim seres humanos agindo ora por aquilo que acreditam, ora pelos próprios interesses, a história se dá a partir de uma série de embates em que a vitória é relativa e o vencedor às vezes não fica claro. George Clooney faz uma direção segura e discreta, comandando o elenco fantástico encabeçado por Ryan Gosling e adapta o roteiro a partir de uma peça teatral, super bem escrita e cheia de diálogos espertos e cortantes. É um filme refinado e envolvente. (texto completo)

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4. Homens e Deuses (Des Hommes et des Dieux) – Xavier Beauvois, França, 2010

Monges católicos vivem na mais absoluta paz e cooperação com uma comunidade islâmica na Argélia e quando essa sociedade é afetada por radicais, até o mais ateu dos espectadores consegue se envolver. Xavier Beauvois utilizou o próprio estilo de vida dos religiosos para contar uma história de forma bucólica e contemplativa mas que traz um dos temas mais relevantes e fortes nos dias de hoje: a intolerância. Seus protagonistas possuem questionamentos dos mais valiosos e uma fé indestrutível que chega a ser inspiradora. O final pode até ser triste, mas a mensagem contida ali é belíssima e emocionante, uma lição para quem tem dificuldade de viver com as diferenças. (texto completo)

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3. Namorados para Sempre (Blue Valentine) – Derek Cianfrance, EUA, 2010

O tempo como criador e destruidor de sentimentos e relações não é algo exatamente original no Cinema, mas Namorados para Sempre o aborda de forma devastadora. Utilizando duas linhas narrativas intercaladas entre o presente e o passado de um casamento em crise, o surgimento do amor é tão belo quanto a extinção é dolorida. Ryan Gosling e Michelle Williams rivalizam num duelo de atuações perfeitas enquanto a falta de recursos com que o longa foi rodado acabou beneficiando-o ao trazer mais crueza e realismo. É daquele tipo de filme feito por gente apaixonada pela arte e pelos sentimentos que afloram dela, da forma mais genuína possível. Capaz de fazer muita gente deixar de romantizar as relações e apontar culpados quando estas terminam.

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2. Bravura Indômita (True Grit) – Ethan e Joel Coen, EUA, 2010

Esse filmaço é a adaptação de um livro homônimo já transposto para o Cinema em 1969 mas não de forma tão bem sucedida.  Os brilhantes Irmãos Coen trouxeram para o faroeste seu apuro visual, ótimos diálogos, alternância perfeita entre cenas leves e tensas e a pequena observação dos costumes de uma comunidade, um elemento comum às outras obras da dupla. Além do final emocionante e belo, os diretores foram responsáveis por uma das grandes revelações do ano, a ótima Hailee Steinfeld, num trabalho forte e cativante, bem como mais um boa atuação do Jeff Bridges. Bravura Indômita foi indicado a 10 Oscars mas não levou nenhum, tornando-se um dos maiores perdedores da história da premiação. É uma marca pra lá de injusta.

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1. Cisne Negro (Black Swan) – Darren Aronofsky, EUA, 2010

Estreou há quase um ano e continua arrebatador. Darren Aronofsky, que já havia se mostrado mestre em terror psicológico com Réquiem Para um Sonho, e em estudo de personagem com O Lutador, fez algo melhor ainda nessa trama sobre uma bailarina na busca pela perfeição e paranoica com uma suposta rival. Usando a história do Lago dos Cisnes como uma metáfora óbvia, o roteiro vai a fundo na psique perturbada da protagonista e nos leva com ela. O diretor acerta ainda ao fazer o filme todo no contraste preto/branco, como o figurino, a fotografia e a direção de arte e também na escolha da trilha sonora, cujos arranjos foram todos baseados no balé de Tchaikovsky. E ainda tem Natalie Portman entregando a performance do ano. Oscar mais que merecido.
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9 Comentários leave one →
  1. 03/01/2012 16:02

    Um ano fraco, realmente. Bom, estou adorando ver NAMORADOS PARA SEMPRE nas listas, filme maravilhoso que certamente merecia melhor recepção em premiações passadas. “… o surgimento do amor é tão belo quanto a extinção é dolorida.”, excelente esse comentário. E PLANETA DOS MACACOS é outro que também adoro, esse de 2011 mesmo. Uma revelação esse Rupert Wyatt, que junto com Serkis e efeitos de motion capture irrepreensíveis criaram um filme quase tão interessante quanto o de Schaffner (como você diz, o único realmente relevante na franquia antiga). Enfim, também espero que os “restos do Oscar” que ficam para nós nesse início de ano compensem muito do bom cinema que *não* foi lançado em 2011.

    • 03/01/2012 22:10

      NAMORADOS PARA SEMPRE é um filme que foi subindo no meu top a cada vez que pensava nele, por pouco não ficou em segundo. Mas isso de fazer ranking é sempre relativo, amanhã a ordem já pode ser outra. O legal mesmo é citar os melhores filmes.

      Estou confiante que os principais filmes disputando prêmios sejam realmente tão bons quanto esperamos.

  2. Raphael Fontenelle permalink
    03/01/2012 22:21

    Bela lista de filmes. Acho que, dos filmes lançados comercialmente no Brasil, é por aí mesmo. Grata surpresa esse ano com “O Planeta dos Macacos”, que é um filme interessante mesmo dentro do esquemão hollywood de prequels e sequels e reboots que as vezes produz muita porcaria.
    Acho que o mesmo vale para “Super 8”, que não entrou na sua lista mas que acho digno tb.

    “Namorados para sempre” merece muito o lugar nessa lista. Infelizmente o filme foi muito mal lançado no Brasil, com uma campanha que foi ou genial em sua descarada vontade de enganar casais desavisados em pleno Dia dos Namorados, ou (o que é mais provável) foi simplesmente escrota. Acho que no final das contas não funcionou pq o filme foi muito pouco visto. Mas com certeza é um dos melhores do ano.

    • 04/01/2012 2:14

      SUPER 8 é um filme que decepciona ao longo da projeção. Começa muito bem mas se perde quando busca explicar as motivações da criatura e quando investe no sentimentalismo.

      • Raphael Fontenelle permalink
        04/01/2012 15:27

        Concordo em parte. Ainda que concorde que o filme ‘invista em sentimentalismo’ mais pro final, acho que ele faz por merecer. Mas aí já acho que é uma questão pessoal, se o filme dialogou com você ou não e tal.

  3. Bandana permalink
    03/01/2012 23:02

    a respeito de “Cisne Negro”, Inácio Araújo disse que o filme impressiona os impressionáveis. concordo bastante… e acho que “Melancolia” se encontra em um ponto bem parecido, apesar de ser o filme de Lars von Trier que eu achei mais legal.

    • 04/01/2012 2:12

      Acho que ser impressionável é relativo, mas entendo quem não goste do estilo, principalmente do Lars von Trier.

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