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Tudo pelo Poder [The Ides of March]

30/12/2011


George Clooney surpreendeu o público quando lançou seu segundo filme como diretor em 2005, Boa Noite e Boa Sorte. Não só pela direção segura, mas também pela escolha de um tema espinhoso e que trazia vários paralelos com a conjuntura política norte-americana. Em Tudo pelo Poder, o tema passa a ser a moralidade (ou a falta dela) num jogo político que pega de surpresa o protagonista vivido por Ryan Gosling.

Stephen Meyers é um homem ético, íntegro e idealista. Isso não quer dizer que não seja carreirista e ambicioso, gabando-se do fato de ser um dos poucos assessores de imprensa que chegou aos 30 anos tendo participado de tantas campanhas políticas. Meyers trabalha para Paul Zara (Phillip Seymour-Hoffman), o coordenador da campanha do Senador Mike Morris (George Clooney) à presidência, um candidato sincero e que deseja o melhor para o país que deseja governar. Só que numa situação-limite em que a vitória das primárias no estado de Ohio praticamente garante a eleição, as convicções de cada um começam a cair.

O roteiro foi adaptado de uma peça da Broadway pelo próprio autor junto a Clooney e seu parceirto habitual Grant Heslov. A característica teatral aparece no longa quando percebe-se que a maioria das cenas são internas e a força vem mesmo de diálogos quase sempre dilacerantes. The Ides of March, o nome original, refere-se ao momento da obra de Shakespeare em que Júlio César se viu confrontado tanto por opositores quanto por aliados. De fato, Tudo pelo Poder é recheado de embates entre Meyers e aqueles que como ele, passam a ter suas seus princípios testados.

Temos Meyers e Paul num debate onde se questiona a lealdade e se a quebra desta pode ocorrer de forma premeditada ou não; Meyers e Mike, o senador não tão íntegro quanto parece; Meyers versus Tom Duffy (Paul Giamatti), o coordenador da campanha adversária; Meyers e Ida Horowicz, jornalista política que trabalha com vazamentos propositais; e Meyers versus Molly Stearns, a estagiária da campanha com quem o protagonista tem um caso. Alguns são nocauteados no primeiro round, outros apenas no final da luta.  Mas na maioria das vezes, a vitória e a derrota é apenas relativa .

E quando tudo parece dar errado, sem que jamais seja possível perceber a diferença entre mocinhos e vilões, a linha entre fazer o que se acha certo e agir pautado por aquilo que o beneficia torna-se imperceptível. Afinal, onde fica o ponto de inflexão entre ser idealista e realista?  Utilizando um contexto peculiar, o longa consegue discutir um assunto abrangente.

Clooney acerta ainda na escolha de um elenco muitíssimo competente e na adaptação do texto, cheio de frases cortantes e outras que trazem pequenas referências a gafes cometidas por políticos.  Tudo pelo Poder pode não ter uma trama surpreendente ou viradas de cair o queixo, mas tem o roteiro e a direção tão seguros da história que se quer contar, que cada duelo entre seus personagens já vale o preço do ingresso.
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