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O Palhaço

03/11/2011


A história do palhaço que faz todo mundo rir e ironicamente se sente infeliz não é algo original para o Cinema. Selton Mello, diretor, roteirista e protagonista desta obra deixa esse dilema claro logo nas primeiras cenas, ao ressaltar as diferenças entre o picadeiro e os bastidores do circo. O primeiro, sempre com cores vivas, luz forte, trilha sonora contagiante e o riso de uma plateia que se diverte com o humor mais ingênuo possível. No lado de fora, a música se torna mais melancólica (embora mantenha a característica circense), os tons pastéis predominam e a fotografia torna-se amarelada.

No entanto, a intenção maior de O Palhaço não é abordar a depressão sofrida pelo protagonista Benjamim e sim registrar e homenagear esse mundo tão distante para a grande maioria dos brasileiros. O longa acompanha também a pequena trupe do Circo Esperança pelo interior de Minas Gerais, liderada por Benjamim e seu pai, vivido por Paulo José.

Em um certo momento, o personagem de Mello se pergunta se alguém um dia irá fazê-lo rir. Assim, é interessante perceber como o roteiro (escrito pelo próprio diretor em parceria com Marcelo Vindicatto) recheia todo o longa com piadinhas simples e ingênuas parecidas com aquelas proferidas pelos palhaços no picadeiro. Tal como o público circense, nós, espectadores do filme, nos divertimos com pequenas participações de Tonico Pereira, Moacyr Franco (que estreia no Cinema numa cena engraçadíssima) e até do irmão Danton. Mas Benjamim se mantém sempre inerte diante daquilo, pelo menos até que ache alguém que o faça gargalhar.

A insatisfação do palhaço também é ilustrada pelo fato de não possuir RG ou qualquer outro documento, apenas uma velha certidão de nascimento. Da mesma forma, a necessidade de comprar um ventilador para a namorada do pai ganha contornos ligeiramente obsessivos, como se Benjamim precisasse se agarrar a esses elementos para sair de onde está. Repare que quando finalmente encontra, alguns ventiladores giram ao contrário.

Se o arco do personagem decepciona um pouco por não revelar nada muito contundente, há de se levar em conta que o longa não tem a pretensão de fazer um estudo de personagem. Depois do regular Feliz Natal, Selton Mello fez um filme leve, divertido e rico para o universo que apresenta, o que comprova seu talento e versatilidade não só como ator mas também como cineasta.
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