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Invisível [Lo Roim Alaich]

17/10/2011


Assistido durante o Festival do Rio 2011

Nira e Lily são duas mulheres que foram estupradas pelo mesmo homem há mais de 30 anos e as marcas do horror que viveram são praticamente invisíveis. Ao se encontrarem por acaso, lembranças guardadas há decadas e que talvez precisem ser revistas vêm naturalmente à tona. Invisível até poderia ser um bom filme sobre os efeitos de um trauma a longo prazo e as diferentes formas de lidar com ele, mas o roteiro não chega a lugar algum e nunca aborda de forma satisfatória os elementos que propõe.

O longa dirigido e escrito por Michal Aviad é totalmente baseado num caso real ocorrido em Tel Aviv na década de 70, quando um homem conhecido como “o estuprador educado” violentou 16 mulheres. O filme traz nomes verdadeiros e chega a utilizar depoimentos reais de vítimas do estuprador.

Mas Invisível é uma obra de ficção que apenas utiliza um caso famoso como pano de fundo. A forma realista com a qual algumas cenas são mostradas termina por afastar a atenção do drama central, que é bem mais interessante. Afinal, a intenção da obra é denunciar o rumo que o caso tomou e emocionar com depoimentos reais ou abordar a maneira com que duas mulheres bem sucedidas podem se ajudar na hora de lidar com um trauma que é só invisível na superfície?

O filme parece sugerir discussões que se tornam decepcionanates por não serem bem exploradas. O roteiro não investiga, por exemplo, o fato de que Nira, ao ver Lily na rua depois de tantos anos, se torna ligeiramente obcecada em reviver o caso enquanto a outra tenta fugir de todas as formas. Em outro momento, pode-se perceber que ambas as mulheres tiveram casamentos infelizes e as duas chegam a comentar o fato, mas o assunto também é rapidamente esquecido. Até a vida sexual das moças é apenas citada superficialmente.

Se há algo que realmente chama a atenção em Invisível é a atuação das protagonistas Evgenya Dodina e Ronit Elkabetz, Nira e Lily respectivamente. A primeira tem seu melhor momento logo no início, quando a personagem tenta se lembrar de onde conhece Lily e sua expressão lentamente muda quando a recordação vem a tona. Já Elkabetz é eficiente ao mostrar como sua personagem sublima suas lembranças. A cena em que ela guarda por vários segundos qualquer reação ao ouvir da filha que esta foi quase abusada sexualmente talvez seja a melhor do filme.

Se Aviad estivesse menos preocupado em fazer um longa que lembrasse mulheres que foram estupradas e mais em contar bem a história que propõe, Invisível poderia ser um filme contundente e até belo se conseguisse mostrar formas de superação através da união que surge entre as vítimas. Da forma como foi feito, ficou apenas na intenção e é um desperdício de ótimas atrizes.
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