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Funkytown

13/10/2011


Assistido durante o Festival do Rio 2011

Funkytown ora almeja ser para Montreal aquilo que Os Embalos de Sábado a Noite foi para o Brooklyn, ora tenta exibir a força de Boogie Nights para contar uma história de ascensão e queda na era disco. Mas falha por nunca conseguir se aproximar dos dois, parecendo um filme pretensioso com um excesso de tramas paralelas desenvolvidas sem muita inspiração.

Ambientado em Montreal na década de 70, o longa dirigido por Daniel Roby gira em torno de Bastien Lavallé (o ótimo Patrick Huard), famoso apresentador de TV, locutor de rádio e frequentador cativo do clube Starlight, o mais badalado da cidade. Há também o casal Tina e Tito, bons dançarinos que sonham em aparecer num programa de televisão; Jonathan, homossexual que co-apresenta o show de Lavallé e passa a provovar Tito quando este parece ter a sexualidade confusa; e Adriana, uma modelo sem talento algum mas que insiste em perseguir uma carreira como artista.

A maioria das tramas acima, inclusive as paralelas que não alcançam uma mínima relevância pela simples falta de tempo, possuem arcos dos mais previsíveis do tipo “ascensão-apogeu-decadência-fundo do poço”, como o de Bastien, que larga esposa e filhos para viver com Adriana e as drogas que ela consome. Mesmo os que não se encaixam nessa estrutura surgem sem qualquer surpresa, a exemplo de Tito, que mantém um relacionamento com outro homem, mas forma uma família com a namorada.

Assim como no já citado Boogie Nights e em Studio 54, filme que compartilha a estrutura e o tema com este aqui, alguém é assassinato, alguém sofre uma overdose, alguém contrai o HIV, entre outras resoluções contadas sem o charme do primeiro ou a ambientação sempre cool do segundo. Além disso, alguns arcos soam moralistas de mais, já que os personagens são punidos exemplarmente quando traem, mentem, usam drogas, mostram-se gananciosos etc., como se o roteiro insistentemente quisesse passar uma lição de moral. O problema se torna ainda maior quando contrasta com a época em que o filme se passa, a década que viu a queda do sonho americano e a liberalização comportamental dos jovens.

No fim, Funkytown só vale pela trilha sonora (quase um best hits dos anos 70), pelo breve link com a década seguinte ao citar Ramones e Blondie como as bandas New Wave mais promissoras e por tornar mais conhecida a era disco de Montreal, mesmo que ela sempre pareça uma New York wannabe.
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3 Comentários leave one →
  1. 17/10/2011 7:34

    O filme tem uma proposta interessante,
    pena que não conseguiu alcançar o objetivo.

Trackbacks

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