Skip to content

O Homem do Futuro

03/09/2011


Sou uma pessoa que pensa muito no passado, o que se torna algo ruim quando se dedica tempo a algo que não se pode alterar ao invés de focar naquilo que ainda esá sendo construído. Constantemente me vejo questionando como seria a minha vida se pudesse mudar uma ou outra decisão que tomei ou se tivesse a oportunidade de reviver um grande momento por que passei. Por isso, foi rápida a identificação com o protagonista de O Homem do Futuro, vivido por Wagner Moura.

Aqui, ele faz Zero, um cientista que ganhou o apelido depois de sofrer uma grande humilhação por parte da namorada e de alguns estudantes na época em que ainda era universitário. Na tentativa de desenvolver um novo tipo de energia, ele acaba construindo uma máquina no tempo que o transporta exatamente para aquele fatídico dia, permitindo que reescreva a própria história e mude também o futuro de todos à sua volta.

Pela sinopse, é difícil não se lembrar de filmes famosos que abordaram as viagens no tempo, desde o clássico De Volta Para o Futuro até o cult Efeito Borboleta, algo que confere ao longa um incômodo ar de déjá vu, já que, literalmente, parece já termos visto esse filme antes. Mas a sensação se perde à medida que o filme mostra que sua intenção é apenas divertir contando uma boa história e dá elementos que permitem o envolvimento do espectador, algo que aparece já em sua cena inicial, quando Zero sonha com aquele que seria o momento mais feliz de sua vida. O flashback,  embalado pela música do Legião Urbana que pontuará grande parte da narrativa, é tão empolgante e bem feito que, ao ser bruscamente interrompido pelo despertar do protagonista, passamos a compartilhar com ele o desejo de ter aquele momento de volta.

Apesar de contar com efeitos especiais bastante dignos, o filme nunca leva muito a sério o seu lado sci-fi, com o design meio caricato da tal máquina do tempo e do laboratório de pesquisa, além da insistente inclusão de ruídos que mais parecem saídos de filmes com viagens espaciais, algo que acentua a leveza e o descompromisso do projeto. Por outro lado, a direção de arte acerta na ambientação da festa em que a maior parte do filme é encenada e na breve reconstituição do Rio de Janeiro de 1991. Ao mesmo tempo, o figurino é inteligente ao ajudar a contar a história, já que o Zero do passado aparece fantasiado de um pintor renascentista e o do futuro surge como um astronauta.
.
O Homem do Futuro se beneficia também do talento de Wagner Moura, cuja versatilidade já citada em VIPs novamente é comprovada. Aqui, ele chega a interpretar, sempre de forma bastante competente, três versões do mesmo personagem só que com características distintas, algo que levanta uma discussão acerca das posições relativas de protagonistas e antagonistas. Para transitar entre mocinho e vilão, às vezes bastam apenas alguns anos e um pouco de experiência.

Além de trazer essa pequena discussão, o roteiro conta também com um conceito novo em sua parte final, o que termina por diferenciá-lo um pouco de outros filmes do mesmo gênero. O Homem do Futuro tem a capacidade de nos deixar nostálgicos e ao mesmo tempo refletir sobre a importância de experiências boas e ruins na construção daquilo que somos hoje. Devemos apagar os erros ou precisamos deles? Não que essa seja a sua maior pretensão, o foco é quase sempre no puro entretenimento. Mas ao fazê-lo, o longa comprova de uma vez por todas a sua relevância.

E no fim, fica impossível não sair do cinema cantando os versos de Renato Russo, que parecem ter sido feitos não só para o filme, mas para qualquer um que já tenha experimentado um pouco de nostalgia. “Temos nosso próprio tempo…”
.
.


.
Também poderá gostar de:

Crítica | VIPs
Crítica | Melancolia
Crítica | Rio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: