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Os Agentes do Destino [The Adjustment Bureau]

17/05/2011


Diversas obras do escritor de ficção científica Philip K. Dick já foram adaptadas para o Cinema e a maioria delas, com muito sucesso, como o clássico Blade Runner. Isso porque ele consegue aliar temas pertinentes envolvendo o futuro da humanidade, falando de ética, fim da privacidade, conspirações etc., com tramas que rendem boas cenas de ação e ótimos efeitos especias. Por isso, este Os Agentes do Destino torna-se um pouco decepcionante quando comparado com outras obras que saíram das mãos desse brilhante escritor.

Na verdade, o roteiro utiliza apenas a premissa de um conto de Dick e pode estar aí a razão para a queda de qualidade. Logo no início, somos apresentados a David Norris (Matt Damon), um político candidato ao senado que perde a eleição na última hora por ter ficado bêbado em um bar. Antes de fazer seu discurso assumindo a derrota, ele conhece Elise (Emily Blunt) e os dois se atraem instantaneamente. Mas um grupo estranho surge decidido a separar o casal, alegando que o destino deles não é viverem juntos.

À primeira vista, essa premissa parece interessante por permitir um debate sobre a questão destino x livre arbítrio. Temos mesmo a capacidade de fazer escolhas ou existe algum tipo de força que define o que seremos, quem conheceremos, qual será o nosso futuro? Afinal, alguém escreve o nosso destino? Partindo da segunda hipótese, o roteiro peca por explorar superficialmente o assunto, limitando-se a mostrar o protagonista apenas questionando a situação em que se encontra, sem fazer uma investigação mais contuntende sobre um tema tão complexo.

Além disso, as cenas em que a tal organização citada é mostrada soam um tanto ridículas, desde o visual dos agentes – claramente inspirados em espiões – e os cenários que parecem uma universidade, até os diálogos entre eles, quando mencionam um tal de “chairman”, termo traduzido na legenda para “presidente”. A história falha ainda ao tentar explicar a natureza daqueles seres e dar a eles alguma dimensão, bem como fazer um paralelo com as religiões. Algo que não ocorre pois as motivações nunca ficam claras e dão lugar ao desejo de fazer um filme de ação ao longo de terço final.

Por outro lado, a química invejável entre Damon e Blunt segura o filme desde a primeira cena entre o casal, beneficiados por um texto inspirado e que passa naturalidade. A moça, por sinal, encarna um tipo bastante carismático e que tenta justificar, ainda que não o suficente, a determinação do protagonista em querer estar com ela.

O final ainda decepciona mais uma vez ao apelar para um clichê quando poderia trazer alguma relevância e ironia a um assunto tão complexo. Assim, Os Agentes do Destino comprova o desperdício de seu tema intrigante e de mais uma obra do genial Philip K. Dick.
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P.S.: A química entre o casal pode ser notada também nessa divertida entrevista que deram durante o lançamento do filme.
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