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Rio

10/04/2011


Rio com certeza será visto de forma diferente pelos habitantes de seu cenário. Porque quem mora aqui sabe, apesar de seus enormes problemas – e a maioria deles comuns a qualquer metrópole brasileira – que o Rio de Janeiro ainda é uma cidade maravilhosa e continua lindo, sim. Quem não conhece, provavelmente achará um exagero toda aquela mata mostrada no filme e o número de praias, mas é essa combinação de mar e montanha, aliada ao clima cosmopolita, que faz do Rio um lugar único.

Pelo início desse texto, já é possível perceber que o diretor carioca Carlos Saldanha atinge facilmente um dos seus objetivos com este longa: encher os olhos do espectador. Assim, é impossível não se envolver quando a sua cidade é mostrada de forma tão bela e rica em detalhes. Mesmo com as muitas concessões, é possível ver ali um apuro técnico facilmente comparável aos mestres da animação da Pixar.

Com a chancela do estúdio após os sucessos das continuações de A Era do Gelo, Saldanha se voltou à sua cidade-natal, de onde partiu há 20 anos, e que agora vê com um ar nostálgico, como se precisasse mostrar ao mundo as belezas do lugar de onde veio. O diretor escolheu também o momento perfeito para lançar seu longa, quando o Brasil e principalmente o Rio estão de certa forma hypados com a Copa, as Olímpiadas, produções estrangeiras sendo filmadas aqui e o turismo em alta. Dessa forma, Saldanha fez um filme para gringo ver, algo que resultou numa obra visualmente linda, mas também na total falta de ousadia da história.

Blu e Jade, as últimas araras azuis existentes no mundo, fazem aqui o típico casal protagonista de comédias de ação: não querem ficar juntos, se destestam, mas estão, de alguma forma, presos. Assim, Rio se desenvolve sempre de forma previsível, um road movie com personagens que representam uma função específica e vilões clássicos, entre animais e humanos,  sem qualquer tipo de profundidade. E são justamente os coadjuvantes que se destacam, já que protagonizam os momentos mais engraçados do longa.

Saldanha aproveitou também todos os clichês possíveis em relação aos brasileiros, como a paixão pelo futebol, o carnaval e o churrasco,  sempre na base do exagero, é verdade. Mas essas piadas certamente funcionarão não só com os estrangeiros, mas também com nós brasileiros, que, talvez, nos reconheçamos ali.

Mesmo com seus problemas, creio que Rio será lembrado com carinho pela plateia brazuca, ainda que o desejo de uma história realmente interessante passada num cenário familiar e belíssimo. Do jeito que está, o longa é apenas um divertido panfleto turístico, cujo principal  mérito é nos relembrar e expor o incrível lugar onde vivemos.
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6 Comentários leave one →
  1. 22/04/2011 17:30

    É, faltou ousadia na história , inspiração para as sequências musicais e desenvolvimento de personagens; por outro lado, sobrou condescendência e estereótipos. É infantil, o filme não nega, mas até mesmo crianças merecem obras mais inteligentes. Visualmente, é bonito, e os traços fortes e sem rebuscamento reiteram a leveza da produção. 6/10

    • 23/04/2011 13:09

      É verdade, eu mesmo fui meio condescendente com o filme evitando falar mal só porque é um longa bonito e que se passa aqui, mas minha nota seria 6 também.

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