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Six Feet Under: primeira temporada

30/03/2011

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Na época de sua exibição, nunca tive muito interesse em Six Feet Under. Tinha uma vaga noção da história, mas o tema não me enchia os olhos. Com o passar dos anos, o amadurecimento e o incentivo de diversas pessoas que a consideram a melhor série que já existiu fizeram com que eu desse cada vez mais atenção a essa obra e então, 10 anos depois de sua estreia, eu finalmente dei uma chance a essa família estranha e envolvente.

Six Feet Under (ou A Sete Palmos, como ela foi chamada no Brasil), conta a história dos Fisher, uma família que administra uma funerária, sendo este também o local onde todos moram. Somos apresentados então a Nathaniel (Richard Jenkins) e Ruth (Frances Conroy) e a seus filhos Claire (Laurem Ambrose), David (Michael C. Hall) e Nate (Peter Krause). Logo no piloto, o patriarca morre, deixando uma série de questionamentos e atritos entre os demais e dando início a história.

Assim como as séries policiais possuem seus casos da semana, Six Feet Under tem o “morto da semana”, aquele que irá desfrutar dos serviços da funerária Fisher & Sons. Parece mórbido e é mesmo. A série não teme em mostrar corpos todos os dias e as mortes são quase sempre cheias de ironia. Os personagens utilizam os falecidos como subconsciente  e estes adotam, constantemente, um tom crítico e sarcástico. A morbidez é percebida também na fotografia e na trilha sonora e também nos cortes entre as cenas, longos e brancos, como se remetessem sempre a um tipo de passagem. E o piloto já assinala todo o cinismo que vem pela frente ao inserir propagandas de produtos utilizados por agente funerários, como cremes e batons para cadáveres.

Desde o início fica claro o quanto viver numa ambiente como aquele afetou a personalidade de todos os Fisher. Os filhos cresceram num lugar triste, cheirando a formol e onde todos os dias se vêem pessoas chorando desesperadamente. Assim, qualquer resquício de felicidade é como uma falta de respeito àquelas pessoas que perderam seus entes queridos. Como a própria Claire diz ao seu orientador no episódio 11, os Fisher vivem anos num ambiente em que tudo a ser dito é extremamente controlado e cuidadoso. É como se fossem quase invisíveis.

Claire, aliás, é uma personagem bastante interessante. No início ela parece apenas uma adolescente revoltada e complexada por ser descartada pelos rapazes nos quais se interessa e ser chamada de Morticia só porque vai para escola com o carro da funerária. Mas logo mostra ter uma personalidade forte ao roubar um pé da funerária e deixá-lo no armário de um desafeto. Em seguida, os dois se reaproximam quando o irmão dele morre e é velado na casa da moça. Claire mostra-se talvez a pessoa mais sensível da família. E por ter nascido bem depois dos irmãos, teve sua infância quando os Fisher já estavam mergulhados no clima mórbido e triste.

David, um Michael C. Hall sempre brilhante, é o personagem que percorre o arco mais interessante nessa temporada. Desde o piloto, mostra-se uma pessoa travada e infeliz (opressão do pai, talvez?), quando tudo que diz é claramente controlado. David nutre um ressentimento do pai por tê-lo feito desistir da faculdade de Direito a fim de assumir a funerária e se revolta quando este deixa metade do negócio para o irmão Nate, que abandonou a família e nunca trabalhou lá.
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No entanto, o principal questionamento de David é com relação a sua homossexualidade. Vivendo há anos escondendo a verdade de todos, aos poucos ele resolve se abrir e aceitar a sua característica, pressionado pelo namorado que se choca ao vê-lo sempre envergonhado. Após o término da relação e tomado pela carência e pela curiosidade, David se envolve com drogas, garotos de programa, chega a ser preso e é salvo justamente pelo ex affair. Quando um rapaz é assassinado vítima de homofobia e é David justamente quem deve prepará-lo para o velório, ele resolve contar a verdade para a sua mãe que, como sempre, reage de forma estranha. No fim, a mudança vista em David é tão grande que ele arranja problemas ao se assumir até na igreja que frequenta e ao fazer um discurso sobre vergonha que deve ser o melhor momento do season finale.

Enquanto isso, Nate é o personagem menos interessante visto aqui. Vivia em Seattle longe da família e ao saber que o pai lhe deixou metade da funerária, resolve assumir o negócio com o irmão. Ao longo da temporada, Nate percebe que não sabe nada sobre o pai, e continua sem saber, mesmo depois de descobrir as outras formas em que ele aceitava pagamento, além do dinheiro. Ainda no piloto, Nate conhece Brenda (a sempre competente Rachel Griffiths), uma mulher descompromissada e a princípio meio misteriosa. Essa dualidade interessante da moça tem seu ápice como quando ele vê a tatuagem com o seu nome e depois desconfia que ela foi a responsável pelo incêndio na casa vizinha.

Mas o maior problema de Brenda é o irmão bipolar que se torna perigoso. Aqui, a relação também é cheia de mágoas e ressentimentos, já que ela abriu mão da faculdade para evitar que ele se suicidasse, e depois descobre que nunca houve qualquer tentativa. Enquanto isso, Nate se vê cada vez mais envolvido e apaixonado, mesmo quando sua integridade física é colocada em risco. No fim, depois que o rapaz já está internado, Nate descobre que tem uma doença no cérebro e pode morrer precocemente. Já foi visível uma mudança de comportamento, mas esse deve ser um plot para a segunda temporada.

Por fim, Ruth é a personagem mais surpeendente. No início, ela parece uma simples dona-de-casa vivendo a mesma rotina por anos. Mas a visão muda quando descobrimos que o seu choro não vem pela morte do marido e sim pela vergonha de saber que agora ele tem conhecimento do caso que ela mantinha há anos com o seu cabeleireiro. Ruth passa grande parte da temporada sendo disputada pelo amante e pelo novo chefe dono da floricultura. O triângulo amoroso improvável rende sempre ótimas cenas, e Ruth, com seu jeito super estranho, quase sempre faz rir.

Six Feet Under é uma série intrigante e super bem escrita. A segunda temporada já está encomendada.
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Também poderá gostar de:
Six Feet Under: segunda temporada
Nip/Tuck: primeira temporada

6 Comentários leave one →
  1. 30/03/2011 22:40

    Até que enfim, heim!

  2. Everton Senna permalink
    26/12/2011 20:50

    Comecei a segunda temporada agora, como assisti a primeira tem um tempo, seu texto me serviu para relembrar a série. Muito boa mesmo. E seu texto tbm.

    Abraço

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