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VIPs

28/03/2011


Versátil e talentoso, Wagner Moura deve ser o ator brasileiro cuja carreira está mais em evidência nos dias de hoje. Lançando mais de um filme por ano e ainda participando de peças de teatro e programas de TV, o ator é querido tanto pelo público cinéfilo quanto pela audiência das novelas das oito, das quais se tornou galã e é constantemente convidado a voltar. Por isso, é bom ver que Moura encontrou um filme no qual pode mostrar diversas facetas e comprovar seu carisma, ainda que o resultado final esteja aquém do seu talento.

O roteiro escrito por Bráulio Mantovani (indicado ao Oscar por Cidade de Deus) baseia-se num livro que por sua vez é inpirado na história de Marcelo Nascimento da Rocha (Moura), um jovem trambiqueiro que por anos usa sua habilidade de se passar por outras pessoas dando pequenos golpes com o intuito final de realizar seu sonho de se tornar uma grande piloto de avião.

Em seus minutos iniciais, VIPs de cara tenta nos apresentar o protagonista como uma pessoa inteligente e talentosa para imitar os outros, mas deslocado do ambiente em que vive. No entanto, tal apresentação falha ao se mostrar preguiçosa e esbarra na falta de verossimilhança ao vermos Wagner Moura interpretando um rapaz de 17 anos. Só depois de pular alguns anos e justificar por alto a origem do sonho de Marcelo em passar a vida voando, que o filme ganha força e passa a ter seu melhor momento.

Aceitando pilotar de graça em troca de ajuda para tirar um brevê, fica claro desde o início que o objetivo de Marcelo nunca é ganhar dinheiro. Trabalhando para traficantes e sempre mirando seu futuro como piloto, ele demora a perceber o risco de sua ocupação e a natureza de seus patrões, negando para si mesmo que tenha virado um bandido. Dessa forma, são essenciais os momentos em que o protagonista se vê pilotando um avião e tem uma espécie de “orgasmo psicológico”,  um momento de felicidade que tenta justificar para o público as ações de Marcelo. Aqui, o filme se beneficia muito do carisma e da presença de cena de Wagner Moura, que se tivesse sido trocado por outro ator, talvez Nascimento passasse de um protagonista atraente para um pessoa irritante e presunçosa.

Se até esse momento VIPs se mostra um filme interessante que se apóia nas mentiras e trapaças divertidas de um anti-herói carismático, é uma pena que em seu terço final ele tente criar um clímax artificial e se aprofundar de última hora na personalidade Marcelo. Com uma transição desordenada, o roteiro passa a sugerir uma suposta confusão de identidades na cabeça do protagonista, que vem à tona num momento cuja ligação é crucial para explicar as motivações de Marcelo e sua real fragilidade. Tal elo poderia ter sido muito mais envolvente se tivesse sido  abordado de forma mais delicada e menos óbvia.

Assim, há um conflito entre querer ser um filme cool ou uma obra sensível e a mistura dos dois compromete consideravelmente o resultado final. Tais problemas parecem vir mais de uma falha na adaptação da história do que da direção do estreante Toniko Melo, que faz um trabalho correto. No fim, VIPs só não se torna mais decepcionante pela presença de Moura e também de Gisele Fróes, que faz a mãe de Marcelo. Juntos, eles valem o ingresso.
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