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127 Horas [127 Hours]

25/02/2011


O ser humano vive em sociedade. Aliás, essa parece ser a regra para todos os seres vivos, que perceberam ao longo da evolução que o todo é sempre maior que a soma das partes individualmente. Força física e raciocínio lógico de nada adiantam quando se precisa da ajuda de outra pessoa. Assim, não é de se espantar que 127 Horas comece justamente mostrando imagens de multidões esprimidas, pessoas que querem espaço, mas ao mesmo tempo precisam umas das outras, deixando clara a mensagem do filme.

O roteiro de Simon Beaufoy , baseado no livro escrito pelo próprio protagonista, conta a história real de Aron Ralston (James Franco), alpinista que resolve passar um dia sozinho num cânion em Utah e ao se apoiar numa pedra, acaba ficando com o braço preso entre a rocha e a parede de uma fenda. Sem ter como se soltar, ele pensa na família, nos amigos, relembra momentos felizes, alucina e luta pra viver.

Ao perceberem que estavam lidando com um material sobre um único personagem preso em praticamente um só ambiente, o roteirista e o diretor Danny Boyle trataram de criar uma estrutura que intercalasse as cenas do cânion com momentos digressivos do protagonista. Algumas interrupções são geniais, como aquela em que ele lembra de uma garrafa de gatorade dentro do carro. Outras, principalmente as que ele alucina, parecem ter sido incluídas apenas para que o filme se tornasse maior.

Além disso, Boyle faz um longa excessivamente estiloso, com câmeras em todo lugar, trilha sonora persistente, aspectos técnicos que terminam por desviar a atenção do drama principal e tornam o filme uma experiência menos sufocante do que poderia ser. Talvez se tivesse optado por uma direção mais crua, Boyle transmitiria com maior intensidade aos espectadores a angústia e o sofrimento experimentados pelo protagonista.

Porém, é impossível negar que se trata de um filme envolvente. Desde o início, James Franco faz de Aron Ralston uma pessoa extremamente carismática e posteriormente, já enclausurado, demonstra uma presença de espírito fascinante,  sendo fundamental para que o espectador se importe cada vez mais com o seu destino. Franco nunca apela para muletas de interpretação como gritos de desespero e o choro fácil.

Aron é inteligente, prático e tem uma vontade de viver rara. Quer se soltar dali justamente para usufruir da companhia das pessoas de que arrogantemente pensava não precisar. No fim, assim como ele sai diferente do que entrou e inclusive agradece por isso, nós também passamos por uma pequena mudança: ficou a reflexão sobre o que eu faria se estivesse naquela situação, se me agarraria à vida com a mesma determinação que a dele ou se desistiria depois do primeiro obstáculo.

Apesar de propor um discurso aparentemente piegas, 127 Horas tem o mérito de inspirar e fazer repensar, algo que falta à grande maioria dos filmes. E por isso, torna-se obrigatório.
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6 Comentários leave one →
  1. 26/02/2011 2:39

    De fato, sua opinião difere um pouco da minha, porque mesmo que o filme não tenha tido um tratamento “cru” da parte de Boyle, eu consegui chegar ao ponto de enxergar perfeição na obra.

    Mas não é pq eu vejo eu considere 127 Horas uma maravilha que eu não irei concordar que o texto está muito bem escrito.

    Parabéns!

    ^^

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