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Harry’s Law – 1×01: Pilot e 1×02: Heat of Passion

30/01/2011

Pra começar, Harry’s Law foi criada por David E. Kelley, considerado o midas das séries jurídicas por muitos anos, tendo, inclusive, levado pra casa o Emmy de melhor comédia E melhor drama de uma vez só, por Ally McBeal e O Desafio, dois seriados justamente passados no tribunal. Além disso, a série é estrelada pela Kathy Bates, uma ótima atriz que já ganhou até um Oscar; e ainda tem o cara que fazia Studio 60, outra série muito boa. Porém, nada disso foi suficiente pra manter o interesse nessa produção.

Harry’s Law começa quando Harriet, uma bem-sucedida advogada de patentes, fica cansada da rotina do seu escritório e decide mudar de vida, abrindo uma firma no lugar mais pobrinho de Cincinnati e levando consigo sua antiga assistente. No meio de tudo, Harriet quase morre duas vezes: quando é atingida por um homem tentando se suicidar e depois ao ser atropelada por um outro advogado, mas, por sorte, acaba caindo em cima de um colchão.

Eu sei que no piloto a edição deve ser ágil para contar o máximo de história possível, na tentativa de captar de cara a atenção do telespectador. Mas confesso que poucas vezes vi um epílogo tão atropelado. Em menos de 5 minutos, Harriet decide mudar de vida (os motivos nunca ficam claros, tudo é apenas dito rapidamente), quase morre e aluga uma ex-loja de sapatos, cujo dono abandonou tudo quando foi expulso. Novamente, não é mostrado como as coisas acontecem e a intenção de fazer rir perde para a falta de verossimilhança, já que é difícil de acreditar que alguém abandonaria milhares de dólares em sapatos Prada e Jimmy Choo.

A história corrida e forçada continuou com a decisão do homem que atropelou Harriet em se juntar a ela na nova firma. Ficamos sem saber quem ele é e tudo é apenas explicado quando ele diz que a admira. A razão parece não importar pro roteirista dessa série e com isso, não dá pra se importar com os personagens. A assistente é completamente inútil e parece só ter sido incluída para demonstrar as reações que querem que o público tenha. E o novo sócio, como eu disse, aparece do nada e tem um timing cômico meio forçado.

Os casos também seguiram a cartilha do clichês. Aproximação do réu tentando convencer o advogado a assumir uma causa difícil,  depois depoimento emocionado com música melosa ao fundo, e discurso inflamado sobre injustiça social e outros temas politicamente corretos. Além disso, todo os clientes são de fato criminosos e ainda assim, mostrados como coitadinhos, inclusive aquele que adentra ao escritório cobrando uma taxa de proteção nas redondezas. Dessa forma, a série que poderia levantar alguma questão de forma mais profunda acaba apenas abordando os temas de forma tangencial, tudo em prol do final feliz e previsível.

No geral, Harry’s Law vale pra quem é muito fã de séries jurídicas e também para ver quando passar na TV, sem precisar acompanhar. É possível também que Kelley surpreenda e traga alguns casos mais interessantes, mas por enquanto, estou parando por aqui.

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