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Os melhores filmes de 2010

01/01/2011

2010 começou fraco. A última temporada de prêmios não chegou a empolgar, ficando polarizada entre Avatar e Guerra ao Terror, dois filmes esquecíveis. Mas aos poucos, as boas estreias foram ocorrendo, criando uma marca com filmes que falam sobre identidade e incompreensão. Ainda assim, as listas de melhores do ano estão um pouco repetitivas, sem grandes variações entre os títulos indicados. Sinal de que 2010 teve filmes muito bons, mas poucos.

A lista abaixo foi bem pessoal. Colocar vários grandes filmes em ordem foi bem difícil. Ainda não vi a grande maioria dos que estão concorrendo aos prêmios em 2011, por isso a seleção pode parecer desfalcada. Gostaria de fazer menção ao surpreendente Kick-Ass, comédia divertida e que não tem medo de ser violenta, ao promissor filme de estreia de Marco Ricca, Cabeça a Prêmio, e à dramédia Minhas Mães e Meu Pai, que mostra que os problemas da nova família são basicamente os mesmos da velha família.
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10. O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas) – Laurent Tirard, França

Essa pérola vinda da França ficou em cartaz aqui por meses a fio devido ao boca-a-boca gerado por um filme pequeno e desconhecido, mas muito bom. Trata-se da adaptação de histórias criadas por René Goscinny na década de 50, contadas aqui com uma doçura e carisma que contagia a qualquer um. Desde o início, com a brilhante apresentação dos personagens, até o final super divertido, O Pequeno Nicolau é uma irresistível volta à ingenuidade e à pureza da infância. O mundo do protagonista é mais colorido, pitoresco e simpático do que o nosso e por isso, fica o desejo de fazer parte do grupo de amigos de Nicolau.

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9. As Melhores Coisas do Mundo (idem) – Laís Bodanzky, Brasil

Uma das provas de que esse filme cumpre muito bem aquilo que se propõe a fazer é o fato de nos deixar com uma saudade imensa da nossa adolescência. A diretora Laís Bodanzky e sua equipe fizeram laboratório em escolas de São Paulo para entender como pensa e age essa geração e o resultado é um filme encantador. O roteiro constrói diálogos tão sinceros e naturais que parecem improvisos e acerta ao trazer elementos comuns das escolas secundárias. E ainda conta com um elenco jovem surpreendentemente eficiente, que dá um enorme carisma a maioria dos personagens. Uma delícia. (texto completo)

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8. O Escritor Fantasma (The Ghost Writer) – Roman P0lanski

É um privilégio para a nossa geração ainda presenciar um lançamento de um filme do Polanski, cineasta de obras clássicas como O Bebê de Rosemary, Chinatown e mais recentemente, O Pianista. Aqui, ele dá uma aula de direção ao montar um thriller conspiratório instigante e acerta no ar pessimista e escuro, dando ao longa um clima de ameaça e desconfiança desde os créditos iniciais. Mostra-se mestre também na direção de atores ao conseguir grandes performances de todo o elenco. E dá uma alfinetada na política internacional, numa trama que reflete um pouco dos seus problemas com a justiça americana. (texto completo)

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7. Ilha do Medo (Shutter Island) – Martin Scorsese, EUA

Qualquer coisa vinda do Scorsese é recebida com grande interesse e expectativa lá em cima. Mas dessa vez o diretor conseguiu sair um pouco do seu estilo ao fazer uma adaptação de um best-seller homônimo escrito por Denis Lehane, autor que já rendeu outras ótimas produções. Nesta, ele nos leva a um pesadelo afundado na dor e na depressão, situando seu longa num sanatório onde a realidade constantemente se confunde com a loucura. Leonardo DiCaprio faz miséria numa das melhores atuações de sua carreira ao representar com uma veracidade absurda um sujeito absolutamente perturbado. Ilha do Medo é uma viagem tensa e claustrofóbica.

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6. Mary & Max (idem) – Adam Elliot, Austrália

Essa foi uma das melhores surpresas que tive ultimamente, um animação em stop-motion vinda lá da Austrália. O diretor Adam Elliot já tinha dito a que veio com o ótimo curta Harvie Krumpet, vencedor do Oscar de 2003. Aqui, ele novamente utiliza um clima melancólico pra contar uma história que aborda distância, solidão, decepção, mágoa e outros males. A cada troca de cartas entre a menina australiana Mary e o nova-iorquino de 44 anos Max, o roteiro vai nos apresentando de forma sensível o mundo dos dois, cheio de peculiaridades e personagens carismáticos. Embora pareçam muito diferentes, Mary e Max compartilham a incompreensão e isso é forte o suficiente para que criem uma amizade de décadas. Um filme emocionante, embalado ainda por uma linda trilha sonora.

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5. A Rede Social (The Social Network) – David Fincher, EUA

Esse é o favorito da crítica norte-americana, tendo acumulado diversos prêmios até agora, e encabeçando a maioria das listas por aí. Mas aqui ele fica “apenas” com a quinta posição. David Fincher voltou à boa forma depois do irregular Benjamim Button, contando de forma ágil a conturbada história por trás da criação do Facebook. É um filme carismático, mega bem escrito pelo Aaron Sorkin (ótimo roteirista que também já escreveu diversas séries), com narrativa fluida e envolvente. Mostra como a Internet possibilita que gênios acidentais se tornem bilionários, fazendo um retrato de uma geração e a relação com o capitalismo no século XXI, e talvez por isso, pela atualidade, esteja cotado a tantos prêmios. Não é a obra-prima que dizem, mas é bem oportuno, principalmente para nós, habitantes das redes sociais.

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4. Tropa de Elite 2 (idem) – José Padilha, Brasil

A marca alcançada por Tropa de Elite 2, a de maior bilheteria de um filme nacional da história, tem razão de ser. Precedido por um outro grande sucesso de boca-a-boca, só que vítima da pirataria, o filme aborda um tema presente no cotidiano do brasileiro e que compõe um dos grandes problemas que a nossa sociedade enfrenta: a segurança pública. José Padilha realizou um feito e tanto ao montar um painel completo e assustador sobre o assunto. Chama a atenção aqui a quantidade de elementos e discussões que o filme consegue propôr em apenas duas horas, sem que nada pareça superficial. Muito pelo contrário, é tudo extremamente contundente e tecnicamente perfeito. Um dos melhores filmes brasileiros que já vi.

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3. O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos) – Juan José Campanella, Argentina/Espanha

Não era familiarizado com a filmografia do diretor Juan José Campanella, por isso foi com certa surpresa que recebi esse filme, mesmo depois de ter levado o Oscar para casa. Mas hoje posso dizer que fiquei absolutamente fascinado com o estilo visto aqui. Apesar de ser um drama, passeia por vários gêneros sempre com grande coesão e eficácia: emociona e muito quando é romântico, arrepia nos momentos de suspense, instiga quando é policial e faz rir quando a intenção é essa. No fundo, o roteiro aborda aquelas paixões e obsessões imortais, e traz uma resolução original e altamente eficaz. Tudo ainda é beneficiado pelo trabalho excepcional do elenco, com destaque para Ricardo Darín, talvez a melhor atuação do ano. Fica o desejo de que o Cinema brasileiro ainda consiga fazer um filme tão maduro e sensível como esse.

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2. A Origem (Inception) – Christopher Nolan, EUA

Com certeza o filme mais intrigante de 2010. Houve quem assistisse diversas vezes para tentar entender totalmente essa trama extremamente complexa sobre cinco níveis de sonhos que ocorrem simultaneamente. É verdade que o roteiro muitas vezes torna-se didático demais, mas isso é necessário para explicar como funciona esse universo tão peculiar criado pelo diretor Christopher Nolan. A Origem é um ótimo filme de ação, com uma narrativa instigante e parte técnica impecável, principalmente a montagem complicadíssima intercalando todos os níveis, e a trilha sonora fodástica do Hans Zimmer. E tem um final que, ainda hoje, depois de exaustivamente dissecado, continua a deixar dúvidas. Mas é esse justamente um dos grandes méritos do filme: fazer pensar.

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1. Toy Story 3 (idem) – Lee Unkrich, EUA

Eu sei que o fato desse filme estar no topo da lista se deve quase que exclusivamente ao fator emocional. Mas a verdade é que Toy Story 3 mexe com muita gente por abordar temas universais, como a dificuldade de seguir em frente e a dor do crescimento. O filme toca principalmente aqueles que cresceram com Andy, assim como eu, já que a despedida final entre o dono e os seus brinquedos representa também um adeus dos espectadores (e dos criadores, por quê não?) àquele universo tão rico e o qual temos acompanhado há 15 anos. É a Pixar mais uma vez demonstrando sua enorme sensibilidade ao conseguir fazer uma obra para crianças, e ao mesmo tempo, tão emocionante. Além disso, Toy Story 3 é um filme divertidíssimo, conta com um ótimo roteiro inteligente e tem um clímax tenso e arrebatador. Dito isso, não teria como tirá-lo dessa posição: é o grande filme de 2010. (texto completo)

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