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Os 50 que fizeram os 2000 (final)

29/12/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3 , Parte 4 , Parte 5 , Parte 6 , Parte 7 , Parte 8 , Parte 9

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O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings) – Peter Jackson, EUA/Nova Zelândia, 2001/2002/2003

Eu sei que essa trilogia é um mega blockbuster hollywoodiano, mas é daqueles que beiram a perfeição. Peter Jackson fez o que era considerado impossível ao adaptar com sucesso uma obra tão complexa e amada por gerações. A verdade é que O Senhor dos Anéis pode ser uma aventura cheia de efeitos especiais, mas é também um drama profundo, repleto de personagens interessantes e que propõe várias discussões acerca de filosofia e religião, tudo em perfeita sintonia com a aventura e as cenas de ação de tirar o fôlego. A história, pra quem morou em outro planeta na última década, tem como protagonista Frodo Baggins, um hobbit que recebe a missão de destruir o Um Anel, artefato forjado por um ser maligno que nunca aparece em carne e osso. Claro que isso é só a premissa de uma saga longa e fascinante, contada em três filmes que formam uma verdadeira obra-prima. O número de personagens é impressionante e ainda assim todos são bem trabalhados. Isso porque o diretor teve com o roteiro a mesma preocupação que demonstrou com os efeitos, sempre tentando ser fiel à obra original, mas alterando o necessário para que tudo pudesse ser contado na nova linguagem. Além disso, ele orquestrou com perfeição toda a parte técnica: direção de arte, trilha sonora,  maquiagem, efeitos visuais, fotografia, montagem etc., é tudo tão impecável e impressionante que fica difícil dizer o que é melhor.  Peter Jackson deixou boquiabertos muitos fãs da obra de Tolkien (só li a metade do primeiro livro) e  passados alguns anos, a história de Frodo e cia. permanece como uma das melhores coisas que o Cinema já produziu.

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A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen) – Florian Henckel von Donnersmarck, Alemanha, 2006

Hitchcock já havia abordado o voyeurismo do Cinema (algo até metalinguístico se fizermos uma análise mais profunda) com seu clássico Janela Indiscreta, em que um homem passa a observar uma casal e cria uma espécie de obsessão com ele. Neste A Vida dos  Outros, temos uma trama parecida: um agente da inteligência alemã durante a década de 80 recebe a missão de espionar um dramaturgo e sua amante de conspirarem contra o governo. Com o tempo, ele começa a se identificar com seus alvos, criando uma situação completamente imprevisível. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck, também autor do roteiro, surpreendeu o mundo com esse seu primeiro longa ao demonstrar um talento de veterano. O melhor aqui com certeza é a sua narrativa envolvente, com uma trama instigante, beneficiada ainda pelas atuações no ponto. No fim, ainda tem o mérito de passar uma mensagem anti-autoritarismo e censura sem nunca soar panfletário, já que o mais importante é mesmo a ótima estória que tem pra contar.

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Adaptação (Adaptation) – Spike Jonze, EUA, 2002

Quando eu falei sobre Brilho Eterno, disse que Charlie Kaufman era provavelmente o roteirista mais criativo da década e esse Adaptação só vem a confirmar. Aqui, ele se une ao irmão imaginário Donald para contar uma história semi-autobiográfica sobre um roteirista que está com dificuldades para adaptar um livro que também não tem história alguma e pede ajuda ao irmão gêmeo, que seria menos talentoso por escrever apenas thrillers. A metalinguagem deve ser a mais gritante da qual se tem notícia, com Charlie (o personagem) discutindo como se escreve um roteiro e muitas vezes lendo exatamente o roteiro do próprio filme. Além disso, ele alfineta os blockbusters hollywoodianos e até um famoso guru dos scripts, Robert McKee. Pra completar, Kaufman ainda subverte sua história, criando um filme praticamente sem gênero,  e ainda conta com Nicolas Cage insipiradíssimo contracenando com ele mesmo, Chris Cooper, que venceu o Oscar e Meryl Streep que dispensa comentários.

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Meninas Malvadas (Mean Girls) – Mark Waters, EUA, 2004

Meninas Malvadas aparece nessa lista pela originalidade e frescor que trouxe aos filmes de high school, mostrando que esses ainda podiam ser inteligentes e muito engraçados. Escrito pela genial Tina Fey, que viria a se tornar a queridinha da TV com a premiada série 30 Rock, o filme traz a história de Cady (Lindsay Lohan, então, muito promissora), uma adolescente que morava na África e se mudou pros EUA, tendo que ir ao colégio pela primeira vez sem saber  que está se enfiando nesse ninho de cobras que são as escolas secundaristas norte-americanas. A comparação do high school com uma selva africana é uma das melhores piadas do filme,  que é cheio de momentos engraçadíssimos. O roteiro traz um humor ácido e crítico com todos os personagens, além das várias tiradas que satirizam o próprio gênero no qual está inserido. E ainda tem a Rachel McAdams roubando a cena como a inesquecível Regina George. É desses filmes pra se ver e rever diversas vezes e morrer de rir como se fosse a primeira.

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Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset) – Richard Linklater, EUA, 2004

Quando Jesse e Celine se despediram naquela plataforma em Viena, com a promessa de se reencontrarem ali seis meses depois, em Antes do Amanhecer, não teve quem não ficasse imaginando o que teria ocorrido com o casal, num dos finais mais abertos que já vi e um dos fatores que tornavam o filme tão bom. Com essa continuação, podemos finalmente saber o que aconteceu com os dois, ainda que o roteiro nos deixe, novamente, pensando. Nove anos depois da última despedida, o casal se reencontra em Paris, local onde ela mora, e onde ele veio divulgar um livro que narra justamente o dia em os dois se conheceram. O longa acompanha, então, quase em tempo real, o fim de tarde que eles têm pra conversar, dando espaço ao papo filosófico despretensioso que marcou o primeiro filme, mas também aos sentimentos suprimidos e outros aflorados por nove anos em que passaram separados. É visível que a química entre os dois não se perdeu, pelo contrário, amadureceu junto com eles e os diálogos são de uma naturalidade e sinceridade absurdas. Tão bom quanto ver o casal se redescobrindo através da conversa, é testemunhar o turbilhão de sentimentos que se segue no terço final, quando fica impossível não se envolver com as emoções pelas quais Jesse e Celine estão passando. Por isso, essa deve ser a história de amor mais bonita que já vi. Inesquecível.

3 Comentários leave one →
  1. Marcia permalink
    14/06/2011 11:15

    Realmente Meninas Malvadas foi um ótimo filme do gênero. Eu só acrescentaria a sua lista o filme “Crash-No Limite”, pra mim foi genial.

Trackbacks

  1. Em “Antes do Amanhecer”, o romance encontra a filosofia « Melhores Coisas

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