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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 9)

21/12/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3 , Parte 4 , Parte 5 , Parte 6 , Parte 7 , Parte 8

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Kill Bill – Volume 1 e 2 (Kill Bill) – Quentin Tarantino, EUA, 2003

Como eu já disse anteriormente, adoro histórias de vingança. A primeira parte dessa produção talvez seja a mais perfeita obra sobre essse tema. A Noiva é uma ex-assassina profissional que está grávida e prestes a se casar quando é espancada e quase morta pelos seus ex-companheiros de “trabalho” e por seu  ex-chefe e amante, o Bill do título. Quatro anos depois, ela acorda do coma e quer só… vingança.  Tarantino escreveu e dirigiu com precisão esse longa dividido em dois. No Volume 1,  o diretor faz uma grande homenagem ao Cinema asiático dos anos 70, com lutas, trilha sonora e um grande clímax em Tóquio. Além disso, ele veste sua protagonista com a roupa amarela de Bruce Lee e ainda insere um grande anime japonês contando a origem de uma personagem, tudo extremamente orgânico à trama. Tarantino contratou o mesmo coreógrafo de lutas de O Tigre e o Dragão, e utilizou uma equipe japonesa para filmar as sequências em Tóquio, dando de vez a roupagem necessária e genial ao filme. No Volume 2, percebemos que Kill Bill é na verdade uma história de amor, bem peculiar, confesso. O diretor subverte a própria obra, e passa a homenagear os western spaghettis (aqueles dirigidos por cineastas italianos), levando sua história para o deserto, inserindo lutas à la Jackass, ou seja, mudando completamente a tal roupagem do filme.  Mas escreve diálogos inspirados e continua a exibir uma ótima galeria de personagens. Mesmo sendo tão diferentes, os dois volumes são complementares e imperdíveis.

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Filhos da Esperança (Children of Men) – Alfonso Cuarón, Reino-Unido, 2006

Entre os filmes apocalípticos mais recentes, esse deve ser o melhor. De cara, ele tem a premissa mais original: num futuro próximo, a humanidade perdeu a capacidade de procriar e o ser humano mais jovem do mundo, então com 18 anos, acabou de morrer. A Inglaterra parece ser o único país com algum governo estruturado, enquanto o restante do mundo foi destruído por guerras e outras mazelas. Nesse caos, o protagonista vivido por Clive Owen deve proteger uma mulher grávida, que foge do governo e também de terroristas que querem usá-la para fins políticos. O filme é todo cinzento e frio e a forma degradante como a humanidade é retratada torna algumas sequências um verdadeiro soco no estômago, ainda mais com o uso constante da violência gráfica. A parte técnica é impecável, com destaque para a fotografia, que mantém a câmera na mão quase o tempo todo e ainda orquestra não só um, mas três longos planos-sequência geniais. Além de ser um filme de ação muito eficiente e tenso, Filhos da Esperança ainda tem uma história envolvente cheia de simbolismos e um alerta para aquilo que podemos ter pela frente.

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Ônibus 174 (idem) – José Padilha, Brasil, 2002

Esse é o único documentário dessa lista, isso porque eu tenho um pouco de preconceito com esse gênero (sei que não devia, mas tenho), logo, vi poucos filmes que abordam a nossa realidade. Muito antes de fazer Tropa de Elite, José Padilha dirigiu essa obra que é tão ou mais contundente ao tratar de segurança pública no Brasil. O diretor faz uma investigação minuciosa do caso que dá nome ao filme, o sequestro do ônibus, televisionado para o país inteiro e que terminou, claro, em tragédia. No filme, ficamos conhecendo a história por trás do sequestrador Sandro do Nascimento, sobrevivente da chacina da Candelária, que viu a mãe ser assassinada aos 9 anos, sofreu na mão do sistema ao passar por dezenas de centros de detenção e cadeias do Rio de Janeiro. O que Padilha quer mostrar é que ele é apenas fruto da sociedade em que viveu, e que  ser um bandido ou um mocinho pode ser pura questão de oportunidade (é preciso ver o filme para enteder melhor o que estou falando). O diretor ainda consegue entrevistas de policiais que trabalharam no caso, fazendo uma análise técnica do ocorrido e até de um assaltante, o que acentua a discussão sobre que pessoas a sociedade está formando.

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A Fita Branca (Das Weisse Band – Eine Deutsche Kindergeschichte) – Michael Haneke, Alemanha/França/Áustria/Itália, 2009

Michael Haneke é provocador e pessimista em relação ao mundo, como bem eu falei em outro filme dessa lista, Caché. Aqui, ele tenta mostrar as origens do nazismo, utilizando uma pequena vila no norte da Alemanha como um microcosmo para abordar a formação de uma geração que seria responsável por esse período negro. Na história, um pouco antes da Primeira Guerra Mundial, o vilarejo em questão passa a presenciar estranhos e violentos atos contra animais e crianças, sem que ninguém consiga entender o que está acontecendo. Não há mocinhos e vilões definidos.  Haneke faz um ensaio sobre a origem do ódio e do medo ao abordar crianças oprimidas e apavoradas pela criação que recebem, revelando-se violentas e perigosas. Assim, é oferecido um amplo estudo sobre a forma como uma geração é “preparada” pela anterior e que consequências graves isso pode trazer.

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O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) – Ang Lee, 2005, EUA

Brokeback Mountain é taxado por muitos como um filme sobre dois caubóis gays, mas essa é uma simplificação cruel. O longa, na verdade, é a história de duas pessoas que se sentem obrigadas a negar o seu amor, um drama universal, e talvez por isso emocione tanta gente. Ennis del Mar e Jack Twist vão trabalhar juntos cuidando de ovelhas no Wyoming da década de 60 e lá, vivem um pequeno romance. Quando o verão acaba, os dois se separam, se casam com suas namoradas, têm filhos e mantém suas aparências de caubóis chefes de família. Mas continuam apaixonados  e se encontrando esporadicamente, sofrendo por “terem” que se ver tão pouco e de forma tão escondida. Assim, o filme acompanha esse casal, que quer ser feliz, mas é impedido pelo preconceito de fora e de dentro, de assumirem  o que sentem. Mostra também as formas diferentes com que os dois vêem essa impossibilidade e o próprio relacionamento. Tudo é contado com estilo lento e contemplativo, mas cheio de sensibilidade e sutileza, desde as atuações contidas, até a trilha sonora simples e linda. E ainda conta com um final de dar nó na garganta, que mexe com qualquer um, novamente, por ser tão universal.

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