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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 8)

11/12/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3 , Parte 4 , Parte 5 , Parte 6 , Parte 7

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Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) – Michel Gondry, EUA, 2004

Muitos podem dizer que é uma comédia, outros podem achar que estamos falando de uma ficção científica bem peculiar, mas pra mim esse filme é uma linda história de amor. Sim, trata-se de um amor disfuncional, contado de forma estranha, mas é exatamente sobre isso que fala esse longa que virou cult logo depois do seu lançamento. Joel e Clementine vivem um romance. Após o término, a garota resolve apagar da memória todas as lembranças do ex-namorado utilizando um método controverso desenvolvido por um certo médico. Ao ficar sabendo, ele decide fazer o mesmo, mas se arrepende no meio do processo. Charlie Kaufman é com certeza o roteirista mais criativo da década, e conta essa história extrapolando os limites da mente, das lembranças, misturando passado, presente e futuro sem nunca soar confuso para o espectador. Elenco e direção estão em sua melhor forma, para contar uma história que emociona, e muito, ao nos fazer perceber que a maioria das pessoas quer amar, mesmo sabendo que vai sofrer, e que o universo conspira das formas mais misteriosas possíveis. Encontremo-nos, então, em Montauk.

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O Pianista (The Pianist) – Roman Polanski, França/Alemanha, 2002

Lançado numa época em que a Segunda Guerra parecia um tema saturado para o Cinema, O Pianista provou que o assunto ainda pode render verdadeiras obras-primas. O filme conta de forma intimista a história real do pianista judeu Wladyslaw Szpilman, que viveu em Varsóvia durante o holocausto e sofreu todas as tragédias da época. Um grande acerto do diretor  foi focar somente no protagonista e em sua família, nos aproximando ainda mais daquela situação apavorante e presenciando com eles todas as barbáries possíveis. Tudo ainda é exaltado pela brilhante atuação de Adrien Brody,  e pelo diretor Roman Polanski, quando ambos venceram o Oscar nas suas categorias. É de matar a cena em que o protagonista, por não poder fazer qualquer barulho, apenas finge tocar o piano simulando os movimentos e imaginando a música.

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Menina de Ouro (Million Dollar Baby) – Clint Eastwood, EUA, 2004

Muitos afirmam que esse filme é apenas um dramalhão lacrimejante, e é mesmo. Mas a verdade é que poucas vezes me emocionei tanto no cinema como quando assisti a essa obra-prima. Talvez porque estava esperando apenas mais um filme sobre esportes, me surpreendi com a força desse drama extremamente contundente e conduzido por um Clint Eastwood na sua melhor forma. Maggie Fitzgerald é uma garçonete que encontra no boxe uma forma de sair da miséria, e convence o treinador Frank Dunne a ajudá-la a se tornar uma campeã. Tudo é contado de forma sensível e sem nunca cair nos clichês, já que o rumo tomado pela história é completamente imprevisível.  O filme conta ainda com grandes atuações de Hilary Swank, Morgan Freeman e do próprio diretor. O final,  simplesmente arrebatador, faz com que seja difícil sair de Menina de Ouro da mesma forma que entrou.

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Dogville (idem) – Lars von Trier, França, 2003

Lars von Trier se tornou mestre em manipular sensações depois que lançou esse filme. Aqui, praticamente não há cenário, as paredes são marcadas por um traço no chão, o fundo é completamente branco ou preto, dependendo da hora do dia. Apesar de causar estranheza no início, logo percebe-se o quanto o diretor pode dizer apenas utilizando esse recurso simples. Na história, uma mulher chega em um pequeno vilarejo nos EUA dos anos 30, fugindo de mafiosos. Em troca de um lugar para ficar, ela aceita fazer pequenos trabalhos, mas aos poucos, as máscaras sociais vão caindo e os moradores do local passam a explorá-la cada vez mais. Como se vê, o interesse aqui passa pela conduta moral, não só dos personagens, mas também do espectador, provocado pelo final saciante e apoteótico. O diretor também escreveu o roteiro, cheio de diálogos filosóficos e complexos, envolvidos por uma narração extremamente orgânica. Com certeza, Dogville é uma experiência cinematográfica como poucas.

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Sangue Negro (There Will Be Blood) – Paul Thomas Anderson, EUA, 2007

Eu praticamente não conhecia o trabalho do diretor Paul Thomas Anderson, apesar das ótimas críticas a Boogie Nights e Magnolia. Por isso, fiquei muito surpreso quando vi esse épico magnífico dirigido por ele. Trata-se da história de uma homem obcecado pelo poder, que enriquece à partir da extração do petróleo no início do século XX, e passa por cima de tudo e de todos para conseguir o que quer. A melhor coisa do filme é a interpretação de Daniel Day-Lewis, uma das melhores da década, mostrando até aonde um homem pode ir pela cobiça e toda a loucura que ela causa. Mas isso também é mérito do diretor, que consegue arrancar grandes performances do elenco. Além disso, Anderson orquestra com perfeição toda a parte técnica, principalmente a fotografia (muito premiada) e a trilha sonora, que revela muito sobre o estado mental do protagonista. É Cinema muito bem-feito, realizado por artistas em sua melhor forma.

3 Comentários leave one →
  1. Marcia permalink
    14/06/2011 11:13

    Dogville foi um dos melhores filmes que já assisti, apesar de quase 3 horas de duração agente ainda fica com aquele gostinho de “quero mais’. Excelente escolha!

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