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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 7)

04/10/2010

Continuando agora a lista dos 50 filmes que fizeram a década. Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3 , Parte 4 , Parte 5 , Parte 6

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Wall-E (idem) – Andrew Stanton, EUA, 2008

Pessoalmente, considero este filme a melhor animação que já vi e o melhor filme de 2008. Trata-se da história de um robozinho que vive solitário na Terra, catando lixo depois que a humanidade se mudou para o espaço devido a sujeira em que encontrava o planeta. Até a metade, temos um filme sem diálogos, e ainda assim extremamente envolvente, mostrando a rotina de Wall.E junto com sua amiga barata. O longa fala de isolamento, solidão e do desejo que todos os seres têm de se conectar com outro. Me emocionam, principalmente, as cenas com o musical Alô, Dolly, de 1969, mostrando que tudo o que esse robô quer é dançar com alguém da mesma forma que vê no filme. E a Pixar, como sempre, exibe sua imensa capacidade de criar  personagens fantásticos e contar histórias universais que mexem com o público. Quando aparece EVE, uma robô responsável por verificar a existência de vegetação na Terra, os dois protagonizam um balé em pleno espaço, uma das sequências mais bonitas que já vi. O filme ainda tem um terceiro ato surpreendente, culminando num final emocionante. Uma obra-prima.

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Match Point – Ponto Final (Match Point) – Woody Allen, EUA/Reino-Unido, 2005

Woody Allen não lançava um grande filme há anos quando resolveu sair de seu cenário habitual, Manhattan, para filmar em Londres pela primeira vez. Com Match Point, o diretor superou todas as expectativas e escreveu uma trama muito bem amarrada e densa, num filme que fala sobre a sorte e a importância que ela pode ter na vida das pessoas. Na história, o personagem de Jonathan Rhys-Meyers é um alpinista social que se aproveita imoralmente de todas as oportunidades que a vida lhe dá, contando também, é claro, com a sorte. O roteiro brilhante de Allen brinca o tempo todo com o poder da sugestão de forma inteligente, trazendo na verdade uma grande dose de ironia. O resultado é uma abordagem bastante original para um thriller desse tipo. E ainda tem Scarlett Johansson deslumbrante em uma grande atuação.

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(500) Dias com Ela ((500) Days of  Summer) – Marc Webb, EUA, 2009

Esse filme pode não ser de fato um dos 50 melhores da década, mas está nessa lista pela forma original e divertida que o diretor de videoclipes Marc Webb encontrou para contar uma história  que poderia cair facilmente no lugar comum das comédias românticas. (500) Dias com Ela trouxe uma imenso frescor a um gênero extremamente formulaico ao trazer personagens interessantes e um roteiro bem escrito centrado em Tom, que está apaixonado por Summer e revê os 500 dias que passou com ela, uma garota que, digamos assim, não nutre do mesmo sentimento para com ele. A forma nada óbvia de contar tudo, além do fato de o filme ter um homem como protagonista, está na montagem não linear, e em várias outras sacadas, principalmente quando a tela é dividida em expectativa e realidade. E também em momentos em que o diretor faz homenagens a gêneros como o noir e o musical. É desses filmes que encantam à primeira vista e já está até virando cult.

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Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) – George Clooney, EUA, 2005.

É impressionante como um filme passado na década de 50 pode ser tão atual quando se traça um paralelo entre passado e presente. Boa Noite e Boa Sorte conta a história real do embate entre o jornalista Edward R. Murrow e o Senador Joseph McCarthy, que na época foi responsável por um dos períodos de maior repressão verbal dos EUA  ao comandar uma caça às bruxas aos supostos comunistas. A analogia com o presente foi inevitável na época da produção e do lançamento, quando George W. Bush ainda era presidente. Mas George Clooney, que dirigiu, escreveu e atuou no filme, foi corajoso e seguiu em frente, criando um grande longa político e uma aula de jornalismo. Um dos acertos é a fotografia em preto-e-branco, que dá um tom semi-documental quando as imagens de arquivo constantemente se confundem com as sequências filmadas. E não poderia deixar de citar a atuação de David Strathairn como Murrow, principalmente nos discursos inicial e final.

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Amores Brutos (Amores Perros) – Alejandro González Iñárritu, México, 2000

Eu já falei aqui  o quão bom diretor o Alejandro González Iñárritu é quando escrevi sobre 21 Gramas. Amores Brutos pode não ser tão genial, mas chega perto. Na verdade, o filme antecede 21 Gramas na chamada trilogia do caos dirigida por Iñárritu e concluída por Babel. Tais filmes mostram tramas paralelas que se cruzam em um momento-chave, no caso deste, um acidente que muda a vida de todos os envolvidos. Entre eles, estão dois amigos que colocam seu cão para brigar, uma modelo de sucesso e um mendigo que ama seus cachorros. Falar mais que isso seria estragar a experiência de assistir o rumo que toma a vida desses personagens, se surpreender, e se angustiar com eles. Um filme denso, muito bem dirigido e com grandes atuações. Um orgulho para o cinema mexicano como pouco se vê aqui no Brasil.

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