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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 5)

07/06/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3 , Parte 4
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O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) – Guillermo Del Toro, México, 2006

Trata-se de um casamento perfeito entre um mundo completamente imaginativo e uma dura realidade. O filme conta a história de Ofelia, uma menina que vai morar com a mãe e seu padrasto violento em uma fazenda na Espanha durante a ditadura Franco. Ao mesmo tempo, é abordada por um Fauno, que diz ser ela a herdeira de um trono, tendo que cumprir três tarefas para comprovar sua identidade. Um dos grande méritos do filme é não deixar que o espectador tenha certeza do que é real ou não. Além disso, o que Ofelia vê e sente sempre reflete de alguma forma o horror por qual ela está passando naquela casa. A fotografia, direção de arte e trilha sonora são primorosas, sempre revelando melancolia e pessimismo. A sequência final é poética e dúbia, impossível não se emocionar e ficar pensando depois. E apesar de conter uma grande dose de fantasia, O Labirinto do Fauno é um filme muito violento e triste, independente da interpretação.

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Deixe Ela Entrar (Lat den Rätte Komma In) – Tomas Alfredson, Suécia, 2008

Quando a moda da temática vampiresca voltou a um tempo atrás, apareceu com ela essa pequena obra-prima vinda da Suécia. Porém, a única relação deste com outros filmes do tipo é o seu tema, já que a abordagem é extremamente original. Baseado num livro também escrito por um sueco, a história traz Oskar, um menino solitário e mal-tratado na escola, que fica amigo de sua nova vizinha sem saber que ela é, na verdade, uma vampira. Eles criam um relação profunda de amizade, e o ódio retraído de Oskar, ainda mais incitado pela sua nova amiga, traz consequências inesperadas. O roteiro é extremamente eficiente, fechando a história de forma totalmente coerente. A direção de arte simples e a neve sueca contribuem para o clima sombrio do filme, outro grande acerto do diretor. A cena final, passada em uma piscina, já se tornou antológica. Pode parecer terror, mas na verdade possui uma grande beleza.

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Marcas da Violência (A History of Violence) – David Cronenberg, EUA, 2005

Muita gente não sabe, mas esse filme é adaptado de um HQ, a qual nunca li. Mas a julgar por essa obra, deve ser muito boa. David Cronenberg, acostumado com ficção científica e produções com um estilo mais bizarro, mudou completamente sua carreira com este suspense que analisa a natureza humana. Tom Stall é um homem comum, típico pai de família, que, após salvar sua lanchonete de um assalto, vira um herói local atraindo não só a mídia, mas também um passado obscuro do personagem. E aí nos colocamos no lugar da família dele: devemos julgá-lo somente pelo presente, ou devemos levar em consideração suas atitudes que ainda não conhecemos? O filme analisa a forma como as pessoas escondem seus passados, o que acontece quando tudo vem à tona e mostra como é fácil duas pessoas viverem juntas por anos sem realmente se conhecerem. Além disso, há uma discussão sobre a natureza violenta do ser humano, levantando ainda a possibilidade de uma herança genética. Tudo de forma coerente e contundente, sem nunca apresentar respostas definitivas, afinal, não é uma tese de doutorado, mas faz pensar.

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Na Natureza Selvagem (Into the Wild) – Sean Penn, EUA, 2007

Que vontade dá de sair por aí sem rumo depois que vejo esse filme! Baseado na história real de Christopher McCandless, o longa conta a história de um jovem recém-formado que abandona a família e passa a viajar pelos EUA, carregando somente uma mochila nas costas e sem um objetivo definido. No meio do caminho, ele encontra gente de diversos tipos, relaciona-se, faz amizades e parte pro Alasca, buscando viver somente da Natureza. Sean Penn filmou toda a sua produção em locações pelas quais o protagonista de fato passou, e utilizou uma belíssima trilha sonora composta por Eddie Vedder. O resultado é que somos levados a viajar junto com McCandless, sofremos, rimos, experimentamos, descobrimos. E percebemos, ao seu lado, que a felicidade só é real quando compartilhada. Pena que é tarde demais.

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Cidade de Deus (idem) – Fernando Meirelles, Brasil, 2002

Simplesmente o melhor filme brasileiro que já vi. Baseado num livro homônimo, o longa condensa dezenas de histórias reais e  semi-fictícias para traçar um painel completo e extremamente realista da violência e do tráfico entre as décadas de 60 e 80 nesta favela do Rio. Com um elenco quase todo composto por não-atores e um brilhante roteiro, Fernando Meirelles orquestrou de forma genial a fotografia diferenciada a cada década, a montagem ao estilo de videoclip e uma linguagem pop e fiel à realidade daquele lugar. O filme analisa de forma profunda a história e a dinâmica interna dessa “indústria” e mostra ainda  que o problema da segurança pública e do tráfico de drogas é bem mais complexo do que parece. É o filme definitivo sobre violência no Brasil e nos leva a ter muito orgulho do Cinema nacional.

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