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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 4)

05/06/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
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Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) – Quentin Tarantino, EUA, 2009

Tarantino demorou quase uma década idealizando este filme, mas levou menos de um ano para de fato produzí-lo a tempo de lançá-lo no Festival de Cannes. O resultado é um grande exercício de estilo, e ao mesmo tempo um dos melhores roteiros escritos pelo cineasta/roteirista. Contando a história de um pelotão de americanos descendentes de judeus que se juntam para matar nazistas, o diretor consegue exibir toda sua sagacidade em diálogos genias e cria personagens inesquecíveis, como o Coronel Hans Landa (pelo qual Christoph Waltz ganhou um merecido Oscar). Como se não bastasse, ele mostra toda sua paixão à arte fazendo referências e homenagens ao Cinema. No fim, ainda tem coragem de reescrever a história de forma violenta, mas também muito divertida.

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Amnésia (Memento) – Christopher Nolan, EUA, 2001

Este filme é o maior clássico das narrativas não-lineares. Todo contado de trás para a frente, cada sequência termina exatamente aonde começou a anterior e dura exatamente o tempo em que o protagonista Leonard Shelby consegue manter uma lembrança. Ele sofre de um transtorno de perda de memória recente causado por um ataque da mesma pessoa que matou sua esposa. E é a identidade desse assassino que Shelby quer descobrir, utilizando fotos instantâneas e tatuando informações no próprio corpo. É um filme complicado de entender e que brinca com o espectador o tempo todo trazendo diversas viradas na história. Marcou a década por ter introduzido essa linguagem e pela montagem inversa, que abriram caminho para que outros filmes fossem feitos e compreendidos da mesma forma.

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Desejo e Reparação (Atonement) – Joe Wright, Reino-Unido, 2007

Joe Wright conseguiu uma proeza poucas vezes vista na história do Cinema: fazer uma adaptação de um livro melhor do que a obra original. Baseado num best-seller escrito por Ian McEwan, Desejo e Reparação mostra como a confusão mental de uma menina de 12 anos e uma série de mal-entendidos podem condenar vidas para sempre. Utilizando o recurso dos diferentes pontos-de-vista, o diretor prova que, para tornar uma história diferente, basta apenas mostrá-la pelos olhos de outra pessoa. Além disso, o filme é de uma beleza visual impressionante, possuindo até um dos planos-sequência mais bonitos que já vi. O final, ao som da  triste  trilha composta por Dario Marianelli, ainda mostra a capacidade do próprio espectador de ser iludido pelo que vê na tela. E nós sentimos, junto com os personagens, por aquilo que não pode mais ser dito e reparado.

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Milk – A Voz da Igualdade (Milk) – Gus Van Sant, EUA, 2008

Utilizando como base um documentário vencedor do Oscar nos anos 80, esse filme conta a história de Harvey Milk, primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA. O longa mostra toda a vida política do militante, até o seu assassinato por um político contrário às suas ideias. Sean Penn se despiu dos trejeitos dos seus personagens anteriores e viveu  o personagem-título com uma garra que lhe rendeu o Oscar. Passado em sua maioria em São Francisco na década de 70, o filme pode ser panfletário demais em alguns momentos, mas tem o mérito de  mostrar de forma direta e sóbria o clima de preconceito que Milk e sua trupe enfrentaram. O diretor acerta ao colocar  imagens de arquivo, dando um ar mais documental ao longa, e também ao inserir passagens com Harvey narrando os acontecimentos, cujo texto foi tirado de um áudio real deixado pelo político ao perceber que corria risco de vida. E é uma pena constatar que, passados tantos anos, Milk ainda teria muito trabalho nos dias de hoje.

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Closer – Perto Demais (Closer) – Mike Nichols, EUA, 2004

Relacionamentos terminam por causa de nós mesmos. As pessoas traem, magoam, mentem, manipulam. Mas também sofrem, são traídas e saem magoadas. É isso que  conta a história desse filme, fazendo uma análise de um quarteto amoroso formado por pessoas comuns. Alice conhece Dan, que conhece Anna que conhece Larry, que se envolve com Alice.  Todos se encontram em algum momento, de modo ruim ou não, agem por impulso, se arrependem, são ingênuos e até imaturos. Resumindo: são pessoas reais. Natalie Portman rouba o filme para si, mas até Julia Roberts consegue se livrar das comédias românticas tornando-se uma grande atriz. Mike Nichols, baseado numa peça de teatro cujo autor também escreveu o roteiro, fez esse filme que é considerado a obra definitiva sobre relacionamentos.  No fundo, o que esses personagens querem é ser felizes. Assim como todos nós.

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