Skip to content

O Escritor Fantasma [The Ghost Writer]

01/06/2010


Não conheço muito a obra de Roman Polanski. Vi o clássico O Bebê de Rosemary e o mais recente O Pianista, ambos grandes filmes. Tenho acompanhado também o problema do diretor com a justiça dos EUA, país onde não pode pisar por ter tido sua prisão decretada. Ele teria feito sexo com uma menor em 1977, e desde setembro passado está preso na Suíça, motivo pelo qual este O Escritor Fantasma teve de ser finalizado com Polanski atrás das grades.

O roteiro traz a história de um ghost writer (Ewan McGregor) que é contratado para substituir um outro escritor que morreu em circunstâncias suspeitas. Sua tarefa era escrever a autobiografia de um ex-primeiro-ministro do Reino-Unido (Pierce Brosnan), que quer recuperar a imagem depois do envolvimento na Guerra do Iraque. O personagem de McGregor, somente chamado de Escritor, ao iniciar seu trabalho, começa a suspeitar de uma conspiração que pode ter matado seu antecessor.

O primeiro elemento a chamar a atenção em O Escritor Fantasma é o fato de que é estabelececido desde o início um ar de desconfiança e ameaça. A direção de arte acerta com o visual escuro dos ambientes, principalmente da casa onde o político está exilado, sempre cheia de sombras. O clima das locações, frio e chuvoso, contribui para a atmosfera opressiva, fazendo até Nova York aparecer cinzenta.

Outro mérito do filme é ser completamente centrado no Escritor, ou seja, vemos o que ele vê e só sabemos o que ele sabe. Dessa forma, ao torná-lo os olhos do espectador, o roteiro nos coloca no seu lugar e passamos a sentir e temer junto com ele. Apesar de parecer um drama político (o personagem de Pierce Brosnan remete a Tony Blair) com críticas aos EUA, Polanski constrói um thriller conspiratório dos bons, envolvendo espionagem e até a CIA.

Ewan McGregor consegue um grande personagem depois de um bom tempo e tem uma atuação à altura. Pierce Brosnan e Kim Catrall aparecem à vontade, mesmo em papéis diferentes dos quais estamos acostumados a vê-los. Já Olivia Williams surpreende como uma mulher triste e amargurada, mas observadora e inteligente. E ainda há pontas de Tom Wilkinson e James Belushi, mas que pouco podem fazer.

O Escritor Fantasma é um ótimo filme e que nos deixa ainda mais curiosos em relação à filmografia de Roman Polanski. Espero que o diretor consiga resolver seus problemas legais para continuar trazendo bons filmes.
.

Também poderá gostar de:
Crítica | O Discurso do Rei
Crítica | Toy Story 3
Crítica | Reencontrando a Felicidade

.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: