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Os 50 que fizeram os 2000 (parte 3)

30/05/2010

Para referência:

Parte 1 , Parte 2
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Amor sem Escalas (Up in the Air) – Jason Reitman, EUA, 2009

Com esse título brasileiro, pode-se achar que o filme é uma simples comédia romântica, mas não é: trata-se de um drama com algumas pitadas de humor. Na verdade, o que eu mais gosto em Amor sem Escalas é a sua atualidade. Primeiro, tem como tema de fundo o desemprego, nesse momento em que os EUA vivem uma crise sem fim, algo com o qual eles não estão muito acostumados. E o filme exibe isso muito bem ao mostrar a mudança por qual passa Natalie, personagem da Anna Kendrick. Segundo, porque o comportamento dos personagens é totalmente condizente com o século em que vivemos. Cada vez mais as pessoas se ocupam do trabalho e de outras coisas (no caso do protagonista Ryan Bingham, conseguir milhas e colecionar cartões) e fogem de suas vidas pessoais. Os jovens são cada vez mais ambiciosos e carreiristas e são exigentes quando se fala em amor. Os mais velhos e experientes, como a personagem de Vera Farmiga, sabem que depois de um tempo, um belo sorriso é suficiente. Com diálogos bem escritos e uma ótima trilha sonora, o filme ainda conta com um final surpreendente que não se rende a qualquer clichê. E isso já é um grande mérito.

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O Tigre e o Dragão (Wo hu zang long) – Ang Lee, Taiwan, 2000

Há dez anos, Ang Lee realizou esse épico belíssimo, passado em um mundo em que guerreiros conseguem voar, matar seus adversários com toques no corpo, mover-se com grande agilidade e ao mesmo tempo com grande leveza. Porém, é preciso ser muito cínico para não embarcar nessa história que, apesar de ter trama definida, é mais sobre os personagens do que sobre situações. Ang Lee criou cenas de lutas que até hoje são consideradas as mais bonitas da história e tudo é justificado pelo roteiro. Ou seja, não se trata apenas de um filme sobre artes marciais, seus personagens são muito mais do que apenas bons lutadores. Tudo é contado de forma poética, desde a trilha sonora até os diálogos. E no fim, a gente se emociona e fica boquiaberto com o espetáculo visual que acabou de presenciar.

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21 Gramas (21 Grams) – Alejandro Gonzalez Iñarritú, EUA, 2003

Dizem que o corpo humano perde 21 gramas exatamente no momento da morte. Esse seria, portanto, o peso da alma, carregado apenas por aqueles que sobrevivem. Alejandro Gonzalez Iñarritú utilizou essa lenda como metáfora sutil para os sentimentos “pesados” que as pessoas carregam, como ódio, culpa e vingança. E também para mostrar que a carga deixada pelos que vão pode ser infinitamente maior que 21 gramas. Com uma narrativa extremamente entrecortada, o filme pode parecer confuso no início, mas aos poucos, tudo vai fazendo um sentido absurdo. É impressionante o arco dramático pelo qual passa os três personagens principais, e a trama fora da ordem cronológica torna tudo ainda mais chocante. Atuações e direções perfeitas se enxaixam para contar essa história muito mais pesada do que o título sugere.

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O Ultimato Bourne (Bourne Ultimatum) – Paul Greengrass, EUA, 2007

Esse filme fecha uma das poucas trilogias em que a qualidade vai subindo a cada filme. Sim, a Identidade é bom, A Supremacia também, mas este O Ultimato Bourne é quase uma obra-prima. É uma produção praticamente perfeita, tanto na parte técnica (montagem e edição de som ganharam diversos prêmios), quanto na direção e roteiro, já que mesmo se tratando de  um filme de ação, é incrivelmente bem escrito. O diretor Paul Greengrass criou a estética para este tipo de produção que seria dominante neste início de século, fazendo até a série 007 se adaptar a este novo estilo. Matt Damon brilha ao retratar Bourne desesperado pela verdade e depois atormentado por ela. O Ultimato fecha esta história de forma brilhante e inteligentíssima. Agora querem fazer uma quarta parte, sem o diretor e sem o elenco anterior. Uma pena, já que essa trilogia entrou para a história.

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Dançando no Escuro (Dancer in the Dark) – Lars von Trier, 2002

Lars von Trier colocou Björk para sofrer neste filme que é um mergulho profundo na dor e na sensibilidade. A cantora faz uma tcheca cega que mora nos EUA e trabalha para pagar uma cirurgia que livrará o filho da mesma doença que a cegou. Mas isso é apenas o início do inferno pelo qual ela passará. Björk está perfeita no papel, mas ficou tão traumatizada com a experiência que jurou nunca mais atuar de novo (e por enquanto tem cumprido). As cenas em que a protagonista imagina sua vida como um musical ajudam o expectador a entender a cabeça daquela mulher e a se importar ainda mais com o sofrimento dela. É um filme extremamente carregado e é preciso assistí-lo com um lenço ao lado, pois não há como não se sensibilizar com essa história. Preste atenção no verso que aparece ao final. É arte pura.

9 Comentários leave one →
  1. Alysson Araujo permalink
    31/05/2010 23:51

    Desses eu só vi o Tigre e o Dragao e o Ultimato Bourne… E só da pra falar sobre o Ultimato mesmo… um dos melhores filmes que eu já vi na minha vida. Realmente um estilo diferente de açao. Dinamico pra caralho. Posta logo a parte 4!

  2. Alysson Araujo permalink
    31/05/2010 23:55

    Que diabos é isso na cabeça do meu boneqinho?

    • 01/06/2010 0:19

      O Ultimato deve ser o melhor filme de ação que vi na vida!

      Esses monstrinhos são aleatórios, liga não!

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