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As Melhores Coisas do Mundo

19/04/2010


Esse filme me deu uma vontade enorme de voltar à minha adolescência. E isso é devido à forma como os jovens são retratados, que permite uma fácil identificação por parte de quem virou adulto há pouco tempo, e também dos adolescentes, é claro. O roteiro é uma adaptação da série de livros “Mano” escrita por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto. Além disso, a diretora Laís Bodanzky e sua equipe ficaram três meses fazendo laboratório em escolas de São Paulo a fim de entender essa geração, e conseguiram com sucesso.

A história tem como protagonista o Mano do título (apelido para Hermano), que mora com os pais e o irmão mais velho, estudante da mesma escola. O filme acompanha os jovens alunos e seus amigos, que vivem diversas situações dessa fase. Estão lá o uso de álcool e outras drogas, a busca pelo sexo (e a sexualidade) com a libido em alta, tudo contado de forma encantadora e simpática. O roteiro acerta também ao colocar outros elementos comuns nas escolas secundárias, como as festas de quinze anos, o grêmio estudantil, os blogs, as fofocas e o bullying, que agora também é virtual.

Na verdade, o filme monta um panorama para fazer um estudo dessa geração e suas relações e utiliza a história de Mano para conduzí-lo. Grande parte dos personagens tem uma storyline própria, o que ajuda a compôr esse painel e não deixa nada “sobrando”. Os diálogos são tão autênticos que parecem improvisos (e não são), enquanto que a construção da atmosfera escolar é perfeita e, ao contrário do que acontece em outras produções similares, nada se parece com um ambiente norte-americano.

O elenco jovem é, sem exceções, extremamente eficaz e conduz a história até com certa facilidade,  o que não deixa de ser surpreendente, pois são todos estreantes. Grande mérito do preparador de elenco Sérgio Penna. Entre os adultos, todos defendem bem seus papéis, até Paulo Vilhena, por quem eu tenho certa antipatia, convence como professor de violão e conselheiro de Mano.

O filme tem certos clichês,  como a cena em que o protagonista passa pelo corredor e percebe que todos o olham e  a personagem fofoqueira com seu blog à la Gossip Girl soou forçado. Mas nada que prejudique o todo nessa obra cheia de detalhes que fazem a maior diferença: o momento em que a menina diz que não quer casar (comportamento século XXI), a volta da escola no ônibus com os amigos, a reação da mãe ao ver o filho se masturbando, e outros que só fazem enriquecer a narrativa.

No fim, é impossível não sair do cinema pensando na própria adolescência, fase em que tudo é absoluto, tudo é intenso e a vida é cheia de promessas. Prova de que o filme cumpre, e muito bem, aquilo que se propõe a fazer.
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