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O Preço do Amanhã [In Time]

20/11/2011


Em O Preço do Amanhã, a maioria da população vive um dia de cada vez, ou seja, precisa trabalhar o dia inteiro para conseguir viver mais 24 horas. Isso porque, num futuro não muito distante, os seres humanos são geneticamente modificados para pararem de envelhecer aos 25 anos de idade. No intuito de manter o equilíbrio e evitar uma superpopulação, todos possuem um cronômetro no braço direito que marca uma contagem regressiva de apenas um ano, tendo que comprar mais tempo para poder viver. Assim, a moeda de troca aqui são dias, horas, anos etc. e quem é pobre morre cedo; quem é rico, torna-se praticamente imortal.

Will Salas, o protagonista vivido com competência por Justin Timberlake, é um dos moradores do gueto, região pobre onde todos vivem da forma citada no início desse texto. Um dia, ele esbarra com um milionário que, cansado de viver por tantos anos, decide se matar e deixar pra Will mais de um século de vida. Diante dos problemas vindos desse “desequilíbrio”, o rapaz resolve usar o dinheiro tempo que recebeu para desestruturar um sistema cruel e injusto.

Como toda boa ficção científica, esta é recheada de metáforas e críticas, utilizando um argumento futurista para meter o dedo na ferida da sociedade em que vivemos. O mundo retratado em O Preço do Amanhã é duro para grande parte da população e conveniente para poucos, não diferindo, portanto, da nossa própria realidade. É quando a ficção mostrada na tela mostra-se tão familiar, que o filme ganha força.

Andrew Niccol, mesmo diretor do ótimo Gattaca, é eficiente tanto ao retratar as diferenças entre ricos (que têm tempo a perder) e pobres (que fazem tudo com pressa e são facilmente reconhecidos), quanto ao retratar as regiões distintas, chamadas de fusos horários, que discriminam os mais pobres e cobram fortunas para que os habitantes possam pelo menos passar, como bairros que são próximos e ao mesmo tempo distantes. Neste ponto, a escolha de um design pouco ou quase nada futurista em ambas as regiões é um acerto já que aproxima o espectador das tensões vividas naquela sociedade.
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Mas se a ideia é promissora, o desenvolvimento é decepcionante. Salas, assim como os demais personagens, carece de profundidade, já que faz o típico herói que sofre uma perda e se revolta contra o sistema vigente, ao passo que Amanda Seyfried faz a pobre menina rica que parece mais querer atingir o pai do que consertar uma injustiça social. Os demais vivem estereótipos com performances prejudicadas pela dificuldade (ou inabilidade) de representarem pessoas de 80 anos, por exemplo, vivendo num corpo de 25. Às vezes, parece que o diretor simplesmente abandona esse detalhe, já que nada nas atuações evoca a idade mental dos personagens.

Além disso, a ideia central do longa merecia uma abordagem mais crua, como a que Neill Blomkamp deu ao brilhante Distrito 9, e menos preocupada com cenas de ação ruins que trazem pouca ou nenhuma relevância narrativa. E ao mesmo tempo em que traz metáforas e críticas nada sutis ao chamado “darwinismo social”, o roteiro não dedica tempo para abordar questões tangenciais mas igualmente interessantes, como o fato de que nossas mentes não estão preparadas para a imortalidade, mesmo que o corpo permaneça jovem.

No entanto, mesmo com esses problemas, O Preço do Amanhã consegue ser tenso e causa impacto quando extrapola o perturbador paralelo entre tempo e dinheiro e, principalmente, quando a gente respira aliviado por não viver num mundo tão injusto quanto o visto na tela, mas percebe que, na verdade, as diferenças para a nossa sociedade nem são tão grandes assim.
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5 Comentários leave one →
  1. Vinícius P. permalink
    24/11/2011 15:04

    Geralmente gosto de todos os projetos nos quais o Andrew Niccol está envolvido. Essa dupla de protagonistas em nada chama minha atenção, mas verei com boas expectativas.

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